“Além de se fortalecer e aprimorar sua ação em defesa dos engenheiros, a FNE terá de avançar no seu papel de agente social e político para transformar a realidade brasileira.” A afirmação foi feita pelo presidente da FNE, Murilo Pinheiro, em seu discurso de posse no ano de 2004, para sua primeira gestão. Reeleito sucessivamente desde então, intensificou assim a luta pela retomada do desenvolvimento nacional, bandeira histórica da categoria.
Assim originava-se contribuição fundamental dos engenheiros: o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que desde então vem sendo atualizado. A iniciativa da FNE foi resultado de debate que percorreu as cinco regiões do Brasil, em 14 seminários sobre temas cruciais – energia, saneamento, recursos hídricos e meio ambiente, transportes, comunicações, ciência e tecnologia e agricultura –, recebendo colaborações de milhares de profissionais. O conjunto das propostas oriundas desses encontros foi compilado em manifesto aprovado durante o VI Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse). Realizado pela federação em São Paulo entre 13 e 16 de setembro do mesmo ano, esse reuniu cerca de 1.300 profissionais, além de especialistas e autoridades.
Coordenador do projeto, o engenheiro Fernando Palmezan Neto lembra que tópicos ligados ao desenvolvimento já faziam parte dos debates na entidade. Apesar disso, assinala, “não havia uma diretriz que sintetizasse várias áreas e correntes de pensamento”. Em suas palavras, a novidade era “a intenção de se fazer uma intervenção política na cena nacional”.
O que é
O documento “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” expressa uma visão claramente desenvolvimentista, que vê na política macroeconômica o centro das disputas a serem feitas no País. O objetivo é elevar a nação a um novo patamar, com metas de crescimento associadas a uma forte redução das taxas de juros, investimentos em infraestrutura e a retomada do papel do Estado para assegurar justiça social.
O “Cresce Brasil” tornou-se uma bandeira permanente que passaria a incorporar propostas de variados setores sociais em todas as regiões do Brasil. Flexível em seus aspectos contingenciais e bem definido nos horizontes a serem atingidos, está longe de ser um documento corporativo. Abre-se para a sociedade, de maneira generosa e ampla, justamente pelo exame profundo que faz dos desafios a serem enfrentados. É uma contribuição não apenas técnica, mas política sobre opções e possibilidades para que a sociedade brasileira encontre um caminho seguro para o futuro nas áreas econômica, social, cultural e ambiental.
Apresentado a candidatos nas diversas eleições a partir de seu lançamento em 2006, o projeto trouxe contribuições importantes quando a ideia de desenvolvimento voltou à agenda nacional, após duas décadas. Antecedeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal em sua primeira fase no mês de janeiro de 2007. Embora menos ambicioso do que o “Cresce Brasil”, foi recebido de forma alvissareira pela FNE (confira documento elaborado pela federação que traz análise comparativa), que não tardou em trazer suas contribuições para aprimorá-lo, entre as quais apontou a ausência do tema primordial da ciência e tecnologia – demanda que viria a ser contemplada ao final do mesmo ano.
Nos períodos subsequentes, o projeto debruçou-se sobre discussões e propostas voltadas a regiões metropolitanas (2008), superação da crise (2009), investimentos e projetos para a Copa 2014 (2011-2014), novos desafios (2014) e cidades (2016). Ainda em 2016, incorporando-se à iniciativa, o Núcleo Jovem Engenheiro da FNE desenvolveu e lançou o ”Cresce Brasil – Itaim Paulista”. E neste ano, o projeto dos engenheiros deve novamente ser atualizado e entregue a candidatos nas eleições gerais.