No dia 26 de fevereiro último aconteceu no auditório do Seesp, na Capital, reunião de diretoria e plenária nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU).
Além de apresentação das próximas iniciativas e calendário de eventos para o ano de 2026 da entidade que celebra 20 anos de atuação, o encontro contou com análises de conjuntura em ano eleitoral, bem como discussão sobre demandas e projetos de interesse dos profissionais junto ao Legislativo e Executivo Federais.
Murilo Pinheiro, presidente da CNTU – que também está à frente do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) – conduziu a reunião e plenária. Logo ao início, ele destacou a importância do financiamento sindical para fortalecimento da representação dos profissionais liberais.
A preocupação foi explicitada no decorrer da reunião pelos dirigentes das três categorias abrangidas pela confederação – além dos engenheiros, farmacêuticos e odontologistas – e foi objeto das análises apresentadas tanto pelo analista político e consultor Antonio Augusto de Queiroz, o Toninho, quanto pelo secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco Macena da Silva.
Toninho destacou que três forças impactam a sociedade contemporânea: o extremismo político, com deterioração da consciência; a disrupção tecnológica, com algoritmos moldando opiniões; e as mudanças climáticas. “Temos riscos institucionais, econômicos, ambientais e de segurança.”
O analista político observou ainda que o quadro de instabilidade provocado pelo governo Trump, dos Estados Unidos, também interfere na política interna, mas acredita que a postura de abertura ao diálogo do governo Lula dissipou problemas graves ao País e garantiu a defesa da soberania e democracia nacionais.
Ele considera as eleições gerais que ocorrem neste ano no Brasil como as mais importantes dos últimos tempos, avaliando que “o ambiente é de continuidade”. Na sua visão, deverão estar em pauta desde questões como redução da jornada, tarifa zero, reforma tributária e programas sociais até investimentos em infraestrutura e logística.
Do ponto de vista do Legislativo, Toninho frisou que deve haver baixa renovação na Câmara dos Deputados, diferentemente do Senado. “O movimento sindical tem que participar do processo eleitoral fortemente”, defende.
Macena atestou e frisou ser fundamental essa presença sobretudo em debates sobre questões de interesse dos trabalhadores e da sociedade. “Está em jogo qual projeto de Brasil queremos”, ressaltou.
Na sua concepção, ainda, 2ª Conferência Nacional do Trabalho, cuja segunda fase ocorre em São Paulo a partir desta terça-feira (3/3) até dia 5 de março, apresenta-se como oportunidade para a CNTU contribuir e apresentar suas demandas relativas ao mundo do trabalho. Ele enfatizou a importância dessa conferência ao diálogo social.
Dentre os temas em pauta, transformações tecnológicas, como inteligência artificial, que impactam o processo produtivo, além de digitalização, mudanças climáticas, transição justa, economia verde, oportunidades, redução da jornada e combate à escala 6x1, qualificação profissional, crescimento da “plataformização” do trabalho (via aplicativos) e os desafios globais.
Ele defendeu a busca de um pacto entre os diversos atores para que haja avanços. Nesse sentido, reforçou ser fundamental o combate ao individualismo crescente e a conscientização sobre a importância da representação coletiva dos trabalhadores. “Vamos fortalecer os sindicatos”, concluiu.
Soraya Misleh/Comunicação Seesp

