Está no ar novo dossiê (número 195) da ComCiência, sobre Indústria 4.0. Publicada desde 1999, a revista digital é resultado de parceria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp).
A edição de fevereiro traz artigo exclusivo de Sergio Amadeu da Silveira – “Revolução tecnológica, automação e vigilância”. “A confluência de tecnologias – da impressão 3D com a internet das coisas (IoT), da robótica com a neurociência, da inteligência artificial com a biologia sintética – poderá trazer produtos e serviços superiores. Mas não há indícios de que eles vão alterar a tendência de concentração econômica. A automação elimina postos de trabalho e cria outros: há quem indique um ganho líquido nesse processo. Ainda assim, também ganha força o debate sobre a necessidade de vincular a nova revolução a uma renda básica universal e de preservar os serviços públicos da invasão da algoritmização privada”, escreve Silveira, que é doutor em ciência política pela USP e professor da UFABC.
Outra contribuição exclusiva para o dossiê veio dos economistas Igor Rocha (PhD pela Universidade de Cambridge e diretor de planejamento e economia da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini (presidente-executivo da Abdib) e Guilherme Magacho (professor da Facamp e consultor da FGV Projetos). “Análises a-históricas têm propagado a ideia de que o crescimento econômico não tem um caráter setorial específico, que não há dinamismo distinto entre os setores da economia. Uma análise pragmática das trajetórias de crescimento mostra que elas estão fortemente associadas à composição setorial da produção e à pauta de exportações dos países. Quando se fala em indústria 4.0, deve-se considerar quais são os setores em cada país que mais se beneficiarão da adoção de novas tecnologias e novos processos e, então, criar condições para que realizem a transição”, afirmam os autores no artigo “Por uma política pró-competitividade para a indústria”.
Graças ao atencioso apoio de Ieda Kanashiro Makiya e Paulo Ignacio, docentes da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (campus Limeira) e editores convidados desta edição, os estudantes do curso de especialização em jornalismo científico do Labjor produziram um conjunto de seis reportagens e uma entrevista, do qual a maior parte surgiu de pautas elaboradas por Ieda e Paulo, com sugestão de temas e apresentação de especialistas.
Resultado do sempre meticuloso trabalho de Amin Simaika, a edição traz duas traduções valiosas: “Quarta revolução industrial: Adaptar-se à nova tecnologia ou perecer”, de Steven Poole – autor de Rethink: the surprising history of ideas. No artigo, Poole faz uma crítica incisiva do livro em que Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, popularizou a ideia de 4ª revolução industrial. Também publicamos “Blockchain: além da bolha do Bitcoin”, do escritor Steven Johnson. “O que Satoshi Nakamoto (ninguém sabe quem ele é ou se na verdade é um coletivo de programadores) introduziu no mundo em 2008 foi uma maneira de concordar com o conteúdo de um banco de dados que não tivesse ninguém no comando, e uma forma de compensar as pessoas por ajudar a tornar esse banco de dados mais valioso, sem que essas pessoas estivessem numa folha de pagamento oficial ou detivessem ações numa entidade corporativa. Juntas, essas duas ideias resolveram o problema do banco de dados distribuído e o problema de financiamento. De repente havia uma forma de suportar protocolos abertos não disponíveis na infância do Facebook. A ideia do blockchain propõe soluções não estatais para excessos capitalistas como monopólios de informação. Todos devem ter direito a um armazenamento de dados privado, onde todas as várias facetas de sua identidade online sejam mantidas. Esses protocolos de identidade seriam desenvolvidos no blockchain, fonte aberta. Ideologicamente falando, aquele depósito de dados privados seria um verdadeiro esforço em equipe: construído como um intellectual commons, financiado por especuladores de tokens, apoiado por regulamentação do Estado”, escreve o autor de Where good ideas come from: The natural history of innovation.
Ricardo Whiteman Muniz, editor da revista ComCiência, resenha Complexidade econômica, de Paulo Gala. No livro da editora Contraponto, o economista explora as impressionantes descobertas do Atlas da complexidade econômica, o mais relevante banco de dados de big data em economia da atualidade, criação do físico Cesar Hidalgo e do economista Ricardo Hausmann numa parceria MIT-Harvard.
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