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Apoiado pelo CNPq, projeto conecta sensores em pistas de atletismo a vestimentas dos esportistas, para orientá-los a correr sozinhos. Além de transformar a modalidade paralímpica, tecnologia oferece autonomia para futuras gerações

Um projeto desenvolvido no Amazonas representa o Brasil na disputa pelo Sports Technology Awards, prêmio internacional de tecnologia para o esporte. O resultado será divulgado em 4 de maio, em Londres. A proposta consiste em dar autonomia a velocistas cegos, orientados por estímulos táteis a partir de sinais emitidos por sensores nas pistas de atletismo. Em entrevista ao portal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a coordenadora do Centro de Inovação em Controle, Automação e Robótica Industrial (Cicari), Ana Carolina Oliveira Lima, abordou desde a concepção da ideia, em 2012, até a expectativa de revolucionar uma modalidade paralímpica.

velocista“Gostaríamos que algum dos nossos protótipos, seja o bracelete ou o macacão, já na forma de produto, pudesse transformar a concepção atual de corrida de pista em jogos paralimpícos”, afirma a pesquisadora, em referência ao fato de a tecnologia dispensar a necessidade de um segundo atleta ao lado dos competidores deficientes visuais. “Eu acredito que esse tipo de tecnologia possa beneficiar as futuras gerações, para que não precisem mais de guias para executar essas competições. E o Brasil está sendo o primeiro País a levar esse conceito.”

A indicação para o prêmio recaiu sobre o grupo de pesquisa Cicari, autor do projeto Meu Guia, com apoio de dois editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do MCTIC. A Chamada nº 84, de 2013, aportou R$ 366,5 mil para a concepção da proposta. Já a Chamada nº 20, de 2016, direcionou R$ 174,4 mil, vigentes até 2018, para testes em busca das tecnologias mais viáveis. “Todo esse trabalho só saiu por causa do CNPq”, ressalta a pesquisadora, que também coordena o Núcleo de Tecnologia Assistiva da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), programa liderado pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI).

O Cicari é finalista na categoria “melhor inovação em vestimenta” e, segundo a coordenadora, tem pela frente cinco concorrentes associados a empresas e, portanto, mais próximos do mercado. O Sports Technology Awards destaca inovações de grandes marcas esportivas do mundo. A proposta amazonense já havia vencido, em 2015, o prêmio nacional Santander Universidades.

Ana Carolina está à frente de uma equipe multidisciplinar de alunos e professores de quatro instituições locais – o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), a Ufam e as universidades Nilton Lins e do Estado do Amazonas (UEA) –, mas o grupo inclui profissionais vinculados ao Instituto Federal do Maranhão (Ifma), ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e às universidades do Minho, em Portugal, Estadual de Campinas (Unicamp) e federais de Campina Grande (UFCG) e de Pelotas (UFPel).

Graduada em Tecnologia em Processamento de Dados pelo Instituto de Tecnologia da Amazônia, em 2003, Ana Carolina possui mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica pela UFCG, com experiência em engenharia de software e fabricação de produtos de tecnologia assistiva.

Confira a entrevista

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