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A primeira grande ação nacional convocada pelo movimento sindical unificado contra a proposta de reforma da Previdência anunciada pelo governo Temer demonstrou a força da coesão da classe trabalhadora. O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação neste 15 de março reuniu mais de 1 milhão de pessoas em manifestações por todo o País, segundo os organizadores. Em várias capitais, diversas categorias paralisaram parcial ou totalmente suas atividades, entre elas professores, servidores públicos, metalúrgicos e trabalhadores do transporte público. A FNE e dirigentes de sindicatos filiados participaram dos protestos em São Paulo e Porto Alegre. Também em Brasília a federação marcou presença.

O Congresso Nacional reagiu suspendendo as votações polêmicas na data. Conforme notícia publicada no Jornal GGN, Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado – partido do presidente da República, Michel Temer –, chegou a afirmar que a reforma da Previdência estaria inviabilizada e que se o governo não recuar, as mudanças pretendidas na legislação trabalhista também estariam condenadas. Essa é outra pauta rechaçada pelo movimento sindical, como lembrado por diversas lideranças durante os atos no dia 15, além da tentativa de regulamentação indiscriminada da terceirização.

Conclamando todos os engenheiros a se somarem aos atos durante os dias precedentes (assista vídeo), o presidente da entidade, Murilo Pinheiro, foi categórico: "A reforma da Previdência é inaceitável. Seguiremos fazendo mobilizações e gestões junto ao Congresso Nacional para barrar essa imensa injustiça e qualquer ataque aos direitos dos trabalhadores duramente conquistados. Ao propor mudança na idade mínima para 65 anos e no tempo de contribuição para 49, na prática, o governo fará com que os engenheiros e demais profissionais trabalhem até morrer." (confira aqui os principais pontos da pretensa reforma). Fernando Palmezan, coordenador do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da FNE, enfatizou: “Antes de mais nada, nenhum direito a menos. Temos que partir desse princípio. A discussão, se necessário, deve ser feita de forma séria, decente. Não existe mais espaço no nosso país para algo colocado goela abaixo, da maneira como querem fazer. Acho que todos os brasileiros têm que se indignar com o que está acontecendo, uma tentativa de retirar tudo aquilo que conquistamos com anos de muita luta. Não dá para aceitar abrir mão de tudo isso com uma canetada.”

 

Ato na Avenida Paulista reuniu 200 mil pessoas. Foto: Beatriz Arruda

Marcellie Dessimoni, coordenadora do Núcleo Jovem Engenheiro da FNE, fez um chamado à continuidade da mobilização contra a reforma aos estudantes engenheiros e aos recém-formados: “Não existe rombo da Previdência, o que está sendo falado é uma mentira, e os trabalhadores têm que ir para as ruas, porque são os nossos direitos e não podemos deixar que o governo os retire. É importante que os jovens engenheiros estejam juntos, através da Engenharia Unida, aos demais trabalhadores de inúmeras categorias no Brasil para dizer não a essa reforma, à trabalhista, à sindical. A hora é agora, não podemos deixar passar. Jovens, venham mostrar que vocês também têm direito ao Brasil do futuro, que vamos construir agora no presente. Depende de nossas lutas.”

Equipe da FNE marca presença no ato em Brasília.

Diretor da FNE, Celso Atienza afirmou: Todos entramos no sistema de trabalho seguindo regras estabelecidas pelo governo. A essa altura, aos já incluídos no regime previdenciário atual, depois de muitos anos de luta e acreditando nas promessas do Estado, não cabe serem atingidos pela reforma em curso.” Na mesma linha, Frederico Jun Okabayashi, delegado sindical do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) junto à Prefeitura da capital, apontou: “Temos que defender o direito adquirido. Não adianta querer mudar a regra do jogo sem consultar o trabalhador, seja público ou privado. O Brasil é um dos países em que o tempo de aposentadoria é tão longo que a pessoa acaba morrendo antes, eles querem estender ainda mais isso, principalmente para as trabalhadoras, é inadmissível. Qualquer profissional engenheiro, terminando o curso superior, vai morrer antes. Isso tem que ser discutido, analisado, principalmente com os sindicatos, o que não está sendo feito. Os políticos precisam estar sensíveis e abrir para discussão, não tentar passar da noite para o dia.”

Também diretor da federação e do Sindicato dos Engenheiros no Rio Grande do Sul (Senge-RS), José Luiz Bortoli Azambuja, frisou que a entidade gaúcha é “frontalmente contra a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo Temer. Ela é cruel e desumana, pois as projeções indicam que a maioria dos trabalhadores morrerá antes de usufruir da aposentadoria integral. E tudo isso para preservar os interesses dos rentistas. A mobilização da sociedade é fundamental para barrar tal pretensão, e o sucesso do movimento mostra que há muita consciência disso. O Congresso precisa ouvir a população e se comportar com dignidade, votando contra a proposta apresentada.” O diretor do Seesp, Edilson Reis, concluiu: “Nenhuma organização sindical jamais apoiou ou apoiaria reformas que retirem direitos dos trabalhadores. Os maiores devedores da Previdência são as grandes empresas.  A legislação tributária possibilita à classe empresarial questionar , não recolher e recorrer contra o pagamento.  O trabalhador não pode pagar a conta. Nós empregados não podemos pagar pela ineficiência do sistema. Nosso  desconto é automático na conta salário. Somos a favor de uma auditoria para avaliar a real situação da Previdência. Não podemos nos comparar com países desenvolvidos.  Na cidade de São Paulo há diferenças gritantes. Para algumas regiões,  por exemplo, extremo da zona leste,  65 anos para aposentadoria está muito acima da vida média do cidadão.” O vice-presidente do Seesp, João Paulo Dutra, também marcou presença no ato em defesa da aposentaria dos trabalhadores brasileiros. Ele destacou: "Lutamos para conservar uma aposentadoria digna, contra a desregulamentação das leis trabalhistas, a favor da educação e da saúde, em defesa da Petrobras e do pré-sal. Em especial, não pode ser retirado nosso direito de sonhar. Que essa nação permaneça dos que a querem livre e dona de suas potencialidades."

Presidentes das centrais sindicais e lideranças de movimentos sociais e populares presentes ao ato indicaram os próximos passos da mobilização. Além de exercer pressão sobre o Congresso Nacional, ficou evidente a possibilidade de uma greve geral caso o governo não retire o texto da reforma da Previdência. Partidos políticos e parlamentares também engrossaram as manifestações.

Soraya Misleh – Comunicação FNE

 

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