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A cada dia sua aflição. Hoje, terça-feira, o grande desafio para o movimento sindical é barrar a pressa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em votar o projeto de terceirização, rompendo os acordos solenes com as direções sindicais que já haviam impedido a votação intempestiva no início do mês.

Qual a explicação para a “nova” pressa de Rodrigo Maia? Ela é dupla. Rodrigo Maia, como também todos os defensores das reformas pretendidas pelo governo, tem medo dos efeitos da vitória de nossa unidade e mobilização no dia 15 de março, que semeou confusão e pânico nas cúpulas situacionistas levando-as a modificar os cronogramas para as discussões e votações das reformas. E, como consequência, pretende “testar” o alinhamento e a fidelidade dos deputados da base governista às determinações do mercado para aprovar o monstro.

O resultado será um só: se aprovado hoje esse projeto de terceirização legaliza-se nas relações do trabalho no Brasil aquilo que o senador Romero Jucá chamaria de suruba, ou seja, legaliza-se a precarização, a informalidade, a desorganização e a própria criminalidade (tome-se, por exemplo, a constatação do vínculo entre terceirização e trabalho escravo).

O projeto corresponde no mundo do trabalho a um projeto que na vida partidária legalizasse o caixa 2 e anistiasse os políticos criminosos.

Aprovado este projeto, que o jornal Valor qualifica de “terceirização indiscriminada”, nem mais seria necessária uma reforma trabalhista porque a desorganização nas relações do trabalho e na representação sindical seria já estruturante, passe o paradoxo.

As direções sindicais e os ativistas, também às pressas, dirigem-se a Brasília para o Congresso Nacional, onde pretendem impedir o desvario apressado do presidente da Câmara.

Elas o fazem fortalecidas pela vitória das manifestações do dia 15, merecedora da orgulhosa e afirmativa matéria paga publicada pelas centrais sindicais nos principais jornais.

Compreendem também que para a ação sindical consequente, coerente, unitária e efetiva não há luta vencida definitivamente, não há vitória final e a resistência é processo permanente.

O fundamental é estar sintonizado com as expectativas das bases e fazer todo o possível para, perante elas e perante a sociedade (e os políticos), demonstrarem a relevância do movimento sindical.

 

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE

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