O presidente em exercício da FNE, Carlos Bastos Abraham, participou nesta terça (28), da Audiência Pública da Frente Parlamentar Mista de Engenharia que debateu a desvalorização do engenheiro brasileiro e a criação da EAGU: Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da União.
Para Abraham, a gestão do atual governo está sendo marcada pelo abalo dos fundamentos da macroeconomia. Na audiência ele apontou como resultados de uma política que não prioriza o desenvolvimento e não investe em infraestrutura de modo planejado, a consequente recessão, a incapacidade gerencial do Executivo, as demissões em alta e muitas empresas encerrando ou reduzindo suas atividades.
"O governo federal estabeleceu novos indicadores mínimos para a participação de bens e serviços nacionais, em detrimento da engenharia, da tecnologia, da produção e do desenvolvimento nacional", - apontou. O conteúdo local foi reduzido em cerca de 50% nas contratações em áreas de petróleo e gás, de exploração, produção, construção de poços, entre outros.
Para Abraham, essas propostas se deram na contramão da produção nacional, retirando empregos e com forte impacto nas equipes qualificadas da engenharia, que enfrentam gravíssima falta de postosde trabalho nesse setor histórico para o desenvolvimento nacional. Um levantamento do Dieese feito para a FNE constata que, de 2014 até hoje, perderam-se 50 mil vagas de engenheiros no Brasil.
Abraham apresentou ações e pautas da FNE no enfrentamento à crise atual, defendendo a aprovação imediata do PLC 13/2013 e da carreira de Estado que teria como consequência imediata a valorização dos provissionais que estão diretamente implicados na busca de estratégias de desenvolvimento. A FNE combate o exercício ilegal da profissão e a livre entrada de estrangeiros nos termos propostos pelo governo federal, que desprivilegia os profissionais brasileiros. O presidente em exercício da FNE divulgou também o manifesto assinado em Santa Catarina, por entidades representativas da engenharia, pela valorização da área. O documento conclama a mobilização pela obrigatoriedade de projetos completos de engenharia, por licenças ambientais das licitações, por continuidade dos investimentos, por adequada operação e manutenção dos empreendimentos, pela qualificação técnica e preço nas licitações, pela retomada da autoridade técnica da engenharia e pela retomada do lugar dos engenheiros no patamar de propulsores do desenvolvimento e pensadores da
infraestrutura no Brasil.
Abraham qualificou o manifesto como um grito pela valorização da engenharia brasileira, citando Jeffrey Sachs, da Universidade de Colombia (EUA), ao dizer que "o mundo precisa dos engenheiros para evitar a destruição da biodiversidade, a catástrofe climática e o alastramento da pobreza".Ele também manifestou o apoio da FNE à criação da EAGU.