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15 de Março, em frente ao MASP

Quatro características marcam as manifestações do dia 15 de março; elas definem o quadro e apontam perspectivas de luta futura.

A primeira delas é que a jornada contou com manifestações fortes, cujo potencial não pôde ser ocultado ou tergiversado pela cobertura (que, em geral, foi correta apesar da pauta original ranheta). O dia 15 confirmou a força de resistência do movimento sindical e dos movimentos populares com o mote de “nenhum direito a menos”.

A segunda característica é a unidade nas manifestações, apesar da diversidade delas. Embora contemplem também manifestações de caráter político-partidário (o que não é, em si, um defeito) o eixo foi a repulsa às reformas previdenciária e trabalhista e à terceirização. Todos os setores do movimento sindical engajaram-se e participaram das manifestações, com ritmos, formas e preocupações diferentes, mas que se somavam no resultado final.

A terceira característica, que tem um peso significativo em um País continental e diversificado como o Brasil, é o alcance nacional da jornada. As coberturas se esfalfavam para correr o Brasil todo, capitais e cidades do interior. Nenhum dos levantamentos apresentados deu conta da massa nacional completa das manifestações. Todo o País manifestou-se.

E a quarta característica, a meu ver a mais importante, é o caráter esclarecedor da jornada. Milhões de brasileiros foram apresentados durante as manifestações (porque participaram, porque aderiram, porque aplaudiram ou porque vivenciaram) ao esbulho que as reformas pretendidas lhes imporá. A ficha caiu e o gigante acordou.

Duas constatações emergem. A primeira é a de que, assim como o encontro das águas em Manaus faz correrem em paralelo o rio Solimões e o rio Negro, na realidade brasileira correm paralelas (coisa que ficou muito visível no dia 15) as águas revoltas dos partidos, dos parlamentares, dos governantes e da mídia preocupados com a “Lista de Janot” e as águas da população brasileira preocupada com as reformas e contra ela. Uma das duas correntes vai predominar sobre a outra. Como perguntam os russos: quem engolirá quem?

A segunda constatação é a de que a possibilidade de derrota das reformas, que era abstrata, tornou-se concreta, ainda que difícil e dependendo de mais unidade, mais esclarecimento e mais mobilização do povo trabalhador, das direções sindicais e da oposição e de mais divisão, mais confusão e mais desorientação nos mercados e nos governantes.


 

 

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE