Pesquisadores do Nordeste desenvolvem bioplásticos avançados e sistemas de filtragem que podem revolucionar o combate à poluição ambiental
Em um momento crítico para o meio ambiente, em que a produção global de plástico ultrapassa 400 milhões de toneladas anuais, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE/MCTI) apresentou alternativas tecnológicas promissoras durante a 77ª Reunião Anual da SBPC.
A palestra “O Desafio do Plástico: Impacto Ambiental e Alternativas para o Futuro”, ministrada nesta terça-feira (15) pela pesquisadora titular do CETENE, Laureen Houllou, revelou dados alarmantes e soluções desenvolvidas no Nordeste.
Segundo Houllou, evidências científicas recentes comprovam a presença de microplásticos em órgãos humanos vitais. “Essas partículas já foram identificadas no sangue, na placenta e até no leite materno, com potenciais efeitos ainda não totalmente compreendidos pela medicina”, alertou a coordenadora do Laboratório de Pesquisa Aplicada a Biomas do CETENE.
Os impactos ambientais são igualmente preocupantes. Estudos apontam os ecossistemas marinhos do Nordeste entre os mais afetados pelo acúmulo de resíduos plásticos, com consequências diretas para a pesca e o turismo regional.
Como resposta a esse cenário, a equipe do CETENE vem desenvolvendo tecnologias inovadoras que buscam transformar desafios em soluções:
- Bioplásticos PHA– Produzidos a partir de bactérias e matérias-primas renováveis, esses polímeros são totalmente biodegradáveis e já estão sendo testados como alternativa às embalagens convencionais
- Sistemas de filtragem inovadores– Tecnologia já aplicada nos Jardins Filtrantes do Recife, com capacidade de reter microplásticos em estações de tratamento de água.
- Biomateriais sustentáveis– Desenvolvidos a partir de resíduos agrícolas da região, apresentam propriedades equivalentes às dos plásticos derivados de petróleo.
“Estamos empenhadas em transformar conhecimento científico em soluções práticas para o Nordeste e para o mundo”, afirmou a pesquisadora, destacando que as inovações estão em fase avançada de desenvolvimento e agora passam por testes finais, visando entregas seguras ao governo e à indústria.