Realizado pela FNE e Seesp na última quinta-feira (25/6), em parceria com o Crea-SP, o Workshop “Compartilhamento de postes e infraestrutura inteligente” demonstrou que situação caótica não se deve à falta de soluções técnicas.
Colocá-las em prática significa, em muitos casos, salvar vidas.
Enquanto acontecia o Workshop “Compartilhamento de postes e infraestrutura inteligente – Engenharia, segurança e inovação”, realizado pela FNE e Seesp, em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), na sede do sindicato, na Capital, na tarde da última quinta-feira (25/6), chegava a informação que mais um incêndio em poste havia assustado moradores, desta vez em Salvador (BA).
Durante toda a semana, foram várias ocorrências em cidades e capitais brasileiras, como mostram as notícias – infelizmente com uma frequência alarmante. Segundo o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho Edson Martinho, CEO da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), um dos palestrantes do workshop, dos cerca de 2.300 acidentes de origem elétrica no último ano no Brasil, mais de 1.300 se deram em função de incêndios em postes, com 60 mortes. Catalogadas no mais recente anuário estatístico da entidade, essas tragédias lideram o número de registros.
O que é mais grave é que poderiam ser evitadas, assim como todas as ocorrências fatais. O cenário é caótico. Basta andar pelas ruas das cidades para observar o absurdo e perigoso emaranhado de cabos e fios nos postes, cujo compartilhamento se dá sem qualquer ordenamento e não raro competindo com ligações clandestinas – como os especialistas no workshop apontaram.
Lamentavelmente o bem mais precioso – as vidas humanas – não é levado em conta numa equação que prioriza questões econômicas e parece abundar em falta de vontade política para alcançar soluções efetivas. Os palestrantes no workshop concordaram que faltam regras claras, fiscalização contínua e coordenação entre os agentes.
Normas não são cumpridas, soluções há tempos apresentadas pelos técnicos do setor aguardam na gaveta e consequentemente vidas seguem a ser perdidas. O assunto é objeto de nota técnica de autoria do diretor do Seesp Carlos Augusto Ramos Kirchner que integra edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” do ano de 2024.
A iniciativa da FNE se dedicou no período a apresentar propostas factíveis a cidades inteligentes e trouxe como central a questão de solucionar o caos nos postes, com ordenamento urbano e modernização da infraestrutura aérea, com substituição da rede obsoleta pela compacta e cabos multiplexados. Kirchner mais uma vez levantou a questão no workshop realizado no Seesp, uma alternativa ao enterramento dos cabos, o quadro ideal almejado.
Para finalmente levar adiante essas soluções, o coordenador do Conselho Assessor de Telecomunicações do sindicato e idealizador do evento, Marcius Vitale, juntamente com especialistas, apresentou no ensejo um projeto de levantamento minucioso dos “postes críticos” em campo.
Através do uso da tecnologia Light Detection and Ranging (Lidar), com o recurso da inteligência artificial, propõe mapear a rede aérea nas cidades brasileiras. Os dados são fundamentais ao planejamento das ações. É urgente investimento para avançar, o qual deve ser compartilhado por todos os que usufruem da infraestrutura aérea urbana.
Soluções de engenharia não faltam. Falta o entendimento de que o mais alto custo são as vidas humanas perdidas e que pôr fim ao grave problema não só é possível, como também é positivo para todos, trabalhadores do setor, população em geral, empresas e poder público.
Não há cidades inteligentes com emaranhado de cabos e caos nos postes. Com coragem, determinação e muita engenharia, podemos finalmente mudar essa triste realidade no Brasil. Mãos à obra.