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É fundamental dar fim à escala 6X1 e adotar as 40 horas semanais de trabalho. O Congresso Nacional tem o dever de dar esse passo rumo ao futuro e ao bem-estar do povo brasileiro.

JornadaImagem 1As negociações entre Executivo e Legislativo e a leitura do parecer na Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6x1, realizadas nesta segunda-feira (25/5), colocam esse debate crucial em momento decisivo, embora a votação tenha sido adiada.

Ao enfrentar essa pauta, o País tem a chance de fazer com que o desenvolvimento econômico e tecnológico sirva à população, já que obviamente o progresso não deve ter como meta enriquecer alguns poucos, mas sim melhorar a vida da maioria das pessoas. 

Infelizmente, no entanto, para milhões de trabalhadores brasileiros, a realidade segue marcada por jornadas exaustivas, tempo escasso para a família e desgaste físico e mental contínuo. A escala 6x1 sintetiza esse modelo que precisa ser superado, assim como é urgente promover a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.  É questão de avanço civilizatório, como foi,  no passado, a implementação do descanso semanal remunerado, das férias e do 13º salário. Em todos esses momentos, houve previsões catastróficas que não se confirmaram.

Hoje, o roteiro se repete. Multiplicam-se pressões por transições longas e mecanismos compensatórios que, na prática, esvaziam a proposta. No entanto, já está evidente para a sociedade brasileira o acerto da mudança. Pesquisa Genial/Quaest mostra que cerca de sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, evidenciando que já é tempo de virar essa chave. 

Para além da “voz do povo”, diversos estudos de alto nível indicam benefícios com o alívio da carga de trabalho. Nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a redução para 40 horas semanais implicaria aumento médio de 7% no custo do trabalho celetista, o que teria impacto menor que a variação do salário mínimo.  Ainda, um dossiê produzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenado pela professora e pesquisadora Marilene Teixeira, aponta a possibilidade de geração de até 4,5 milhões de empregos e ganho de produtividade de 4% com a redução da jornada. 

Experiências concretas reforçam essa direção. Em audiência na Câmara, no dia 14 de maio, a empresária Isabela Raposeiras, CEO da Coffeelab, afirmou que o fim da 6x1 não quebrará o setor produtivo. Ao contrário, a redução da jornada pode elevar o faturamento, já que eventuais custos adicionais são compensados pelos ganhos de produtividade.

Ela destacou também um fator frequentemente ignorado: o custo da rotatividade. No Brasil, o fluxo de entrada e saída de trabalhadores é elevado e pode gerar despesas equivalentes a quase o dobro do custo de um empregado, além de consumir até 12% da folha. Soma-se a isso o impacto de afastamentos, adoecimento e acidentes, agravados por jornadas extensas.

Menos tempo de trabalho excessivo significa mais saúde, mais convivência familiar e maior participação social. Traduz-se também em melhores condições para qualificação e cidadania.

O Congresso Nacional tem o dever de dar esse passo rumo ao futuro e ao bem-estar do povo brasileiro. Sigamos nessa luta.