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É preciso recompor poder de compra do trabalhador para evitar ainda maior estagnação na economia. Seminário na próxima terça-feira (19/4) abre campanhas salariais dos engenheiros buscando diálogo nesse sentido. Também na pauta a necessidade urgente de medidas que tirem o País da crise.

Campanhas Salariais - IlustraçãoO aumento descontrolado do custo de vida voltou a ser dor-de-cabeça nacional e motivo de aflição para os brasileiros que – quando têm uma ocupação e não penam também com o desemprego que segue alto – veem sua renda evaporar ante os preços exorbitantes. 

A percepção do dia a dia está oficialmente inscrita no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que em março chegou aos 11,3% acumulados em 12 meses. Além dos combustíveis e alimentos, que já vinham pesando fortemente para empresas e famílias, o indicador medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou relevante alta de bens industriais e serviços. 

Num cenário de aumento da pobreza, com mercado de trabalho fraco e precarizado, é urgente combater a carestia que dificulta ainda mais a vida das pessoas e também a recuperação econômica, já que o ciclo vicioso da estagnação se acirra com o reduzido poder de compra especialmente dos pobres e da classe média. 

Ponto fundamental para fazer esse caminho de volta é recompor os ganhos salariais corroídos no último ano, o que já vem sendo a reivindicação prioritária nas negociações coletivas visando convenções e acordos coletivos dos engenheiros em 2022. Portanto, o assunto estará na pauta do XXI Seminário sobre Campanhas Salariais, promovido pelo Seesp, com apoio da FNE, na próxima terça-feira (19/4), às 15 horas. 

A tradicional iniciativa da entidade, que contará com a participação de representantes das empresas e sindicatos patronais, além de especialistas do mundo do trabalho, traçará o atual panorama socioeconômico e político e reafirmará a busca de soluções a partir do diálogo, visando o melhor resultado para todos. 

Nesse contexto, para além das reivindicações da categoria, entra em discussão a necessidade premente de medidas governamentais que reorganizem a economia nacional. É preciso tanto combater a inflação quanto voltar a crescer para que se possa entrar numa dinâmica econômica saudável, que nos traga equilíbrio e prosperidade. Ainda que seja extremamente relevante a influência de fatores externos, como é a guerra na Ucrânia, o Estado brasileiro precisa usar os recursos de que dispõe para perseguir essa meta. 

É urgente, portanto, que se trave uma discussão séria, considerando alternativas ao mero aumento da taxa de juros que, já nas alturas, não teve efeito sobre a inflação brasileira. Ainda, é necessário que o poder público seja capaz de usar seu poder de compra e investimentos de forma inteligente e incentive a produção e a geração de empregos. E aqui voltamos a outro ponto essencial: a necessidade de rever a política fiscal ancorada num teto de gastos impossível de ser mantido.  

Esse conjunto de temas complexos e essenciais será abordado no seminário que terá transmissão online, podendo ser acompanhado por todos os interessados. Vale a pena participar. 

 

Murilo Pinheiro – Presidente