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Nota da CNTU em repúdio ao incêndio do Museu Nacional, símbolo da soberania do Brasil

Em 10 de agosto último, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) aprovou em sua diretoria e  plenária do Conselho Consultivo a “Carta Aberta: A CNTU e as eleições de 2018", em que denuncia o cenário nacional de grave retrocesso e um quadro devastador. O documento também conclama por uma agenda eleitoral e pós-eleitoral para os próximos anos de reconstrução do País. Para tanto, exige a revogação de todos os atos dos últimos dois anos que dilapidaram a soberania nacional e as condições básicas de existência do povo.
Museu NacionalMuseu NacionalEntre esses, estão a “deforma” trabalhista que avilta os trabalhadores; a Emenda Constitucional da morte que congela os investimentos públicos;  o estrangulamento da Petrobras; a entrega aos estrangeiros, sem transparência ou apoio popular, das reservas do pré-sal e da Embraer; o desmanche do Sistema Único de Saúde (SUS) e a transferência dos recursos da saúde pública para meios privados; o ataque à educação pública; e o estrangulamento do sistema nacional de ciência e tecnologia. Essas foram algumas das questões presentes no grito pela  liberdade dos profissionais universitários reunidos pela CNTU, suas quatro  federações e 60 sindicatos filiados de economistas, engenheiros, farmacêuticos, nutricionistas e  odontólogos, além de seu emblemático “Conselho das 1.000 cabeças”.   
Essa Carta é um documento espelho de uma época triste, mas não sem esperança. A CNTU vem elaborando através de intensos debates participativos um projeto-síntese, que é Brasil 2022 – O País que Queremos. Seu objetivo é fazer da comemoração do Bicentenário da Independência do Brasil e dos 100 anos da Semana de Arte Moderna, em 2022, um processo de fortalecimento da cidadania brasileira e um salto em nossos desenvolvimento e cultura. No atual momento de crise e retrocesso, tal iniciativa se faz ainda mais urgente e relevante para que possamos reconstruir a democracia e retomar o desenvolvimento.
O incêndio do Museu Nacional é um triste símbolo do que nos acontece: desprezo pelo conhecimento, pela história, pela ciência, pela educação e pela própria soberania. Entre os 20 milhões de objetos queimados e que jamais serão recuperados, significativamente, estão documentos e outras memórias da Independência. O prédio e a instituição podem ser reconstruídos de alguma maneira, mas não haverá meios de resgatar a imensa riqueza histórica, antropológica, científica e artística acumulada e estudada pelo investimento e trabalho de várias gerações.  
A tarefa que se apresenta é não só colocar o museu em pé novamente, mas também muito do que ele representa e tem sido sistematicamente destruído. Façamos daquele espaço dizimado pelo fogo do interesse privado posto acima do público, o palco simbólico de nossa luta pela transformação. A partir das ruínas, vamos dar um segundo grito de Independência do Brasil.    
Ainda que difícil, tal empreitada não precisa e não deve ser desprovida de alegria e otimismo. Pode ser embalada pelos cantos dos povos indígenas mesmo que muito de sua memória tenha se esvanecido com as chamas. Ainda não é tarde demais para construir este projeto inacabado de Nação.  Levantemo-nos!
7 de setembro de 2018, Dia da Independência do Brasil

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