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Cerca de um mês após assumir a Presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF) para o triênio 2018-2020, a engenheira Maria da Fátima Ribeiro Có enfrentou dois grandes desafios em Brasília: o desabamento de uma estrutura de concreto em um prédio residencial e, três dias depois, o desmoronamento do trecho central de uma das principais vias do Distrito Federal. Além de participar nas discussões das medidas emergenciais a serem tomadas, ela alertou para o risco em outras edificações na Capital Federal, caso não sejam feitas ações preventivas. Diretora de Assuntos do Exercício Profissional da FNE, salientou ainda: “O maior desafio é fazer com que as nossas profissões ocupem os espaços voltados às questões técnicas, fazendo-se presentes, interagindo com a sociedade.”

Não fugir à luta e não se omitir levaram a capixaba Fátima Có a galgar postos até então não ocupados por mulheres em Brasília, para onde se mudou em 1978. Engenheira civil formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho e em Gerência Empresarial, foi a primeira a se filiar ao Sindicato dos Engenheiros no Distrito Federal (Senge-DF), tendo sido diretora dessa entidade. Também ocupou em caráter pioneiro cargos de direção no Clube de Engenharia de Brasília e na FNE, bem como a Presidência do Crea-DF em 1997. Por sua atuação à frente desse conselho, recebeu da Associação de Imprensa de Brasília, no período, o título de “Engenheira do Ano”. Ao longo de 40 anos de carreira, atuou em diversos órgãos e empresas governamentais. Foi ainda secretária adjunta de Estado de Infraestrutura e Obras do Distrito Federal, em 2004. Nesta entrevista, ela ressalta: “Não deve haver um pré-julgamento do que uma mulher engenheira poderia ou deveria fazer em função das condições adversas de trabalho. Ela que tem que decidir se quer ou não determinado tipo de trabalho.”

Como a engenharia entrou na sua vida?

Desde criança me imagino engenheira, muito por influência familiar. Minha mãe queria ser engenheira, mas, assim que concluiu o curso normal, já órfã de pai e mãe, perdeu o avô que a criava e não conseguiu realizar seu desejo. Se minha mãe queria ser engenheira na década de 1940, não seria eu nos anos 1970 que veria alguma barreira para uma mulher seguir a profissão. Também influenciou minha escolha a facilidade com cálculo e um reflexo rápido. Além disso, encanta-me sair do nada e chegar a resultados concretos. E isso vi na engenharia.

Como liderança sindical e da área tecnológica pioneira no Distrito Federal, como vê a importância de as mulheres atuarem junto a essas organizações?

Sempre fui atuante em todas as entidades, porque entendo que é por meio delas que conseguimos avançar e lutar por mais direitos. Formei-me engenheira em agosto de 1978 e em dezembro já me filiei ao Senge-DF. É fato que isso demanda empenho, assumir uma terceira jornada, mas é por aí que fazemos as coisas acontecerem.

Quais as suas propostas à frente do conselho?

Além de atuar para coibir o exercício ilegal da profissão e assegurar fiscalização preventiva, temos o desafio de garantir que nossas profissões se façam presentes, já que são fundamentais à melhoria da qualidade de vida das pessoas e ao desenvolvimento do País. Desse modo, buscaremos convênio com os órgãos competentes para implementar a engenharia e a agronomia públicas no Distrito Federal. Também queremos intensificar a representação do Crea nos Conselhos e Comissões Técnicas dos órgãos e empresas públicas, visando uma participação efetiva nas decisões que envolvem as nossas profissões, para o bem-estar e segurança da sociedade. E desenvolver ações técnicas em prol da segurança da sociedade, referentes às áreas da acessibilidade, sistemas de proteção contra incêndio, meio ambiente, utilização de agrotóxicos, área de risco, entre outras iniciativas. Outro ponto crucial é estabelecer parceria com as entidades de classe e instituições de ensino, visando o fortalecimento, valorização e aperfeiçoamento das profissões. Assim, nos engajamos ao movimento “Engenharia Unida”, inciativa da FNE. Precisamos unir forças para alcançarmos um resultado mais rápido pela retomada do crescimento, em prol da sociedade e da engenharia nacional.

Quais os desafios que a engenharia tem pela frente no País?

Nossa profissão é de vital importância, pois, com inovação e tecnologia, leva nosso país ao desenvolvimento. Tem a missão de assegurar a construção de um mundo mais justo e igualitário. As contribuições da engenharia são decisivas para um projeto que contemple o desenvolvimento sustentável com inclusão social.

O que é preciso para avançar na igualdade de gênero, na sua opinião?

A profissão deixou de ser tabu quanto ao gênero. Exceto por uma cultura antiga e superada de que a engenharia é uma profissão masculina, não há nenhum motivo para as mulheres não participarem da profissão tanto quanto os homens. É verdade que ainda existe um pensamento de que as mulheres teriam mais dificuldades, por exemplo por serem mães, principalmente para desempenhar funções que exigem mais deslocamentos, o enfrentamento de situações adversas, viagens. É preciso dar igualdade de oportunidade e deixar a mulher decidir. Por outro lado, é necessário ensinar as “meninas” que engenharia também é lugar de mulher e todas as possibilidades de atuação. E então somar esforços para avançar. Somos diferentes, mas não desiguais. Não é porque usamos saia e batom que não temos direito aos mesmos salários, igual acesso a todos os lugares, cargos e funções.

Soraya Misleh
Comunicação FNE

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