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No Dia Internacional da Mulher, tradicionalmente, levantam-se bandeiras por direitos. Essa luta está conectada ao combate atual feito por todos os trabalhadores brasileiros. É sob essa ótica pós-reforma trabalhista que a engenheira civil Eugenia von Paumgartten, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Pará (Senge-PA), fala a respeito do 8 de março em entrevista à FNE. Segundo observa ela, a mulher, que já sofre com jornadas múltiplas, será fortemente atingida com a mudança na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Acredito que seremos nós mulheres, de novo, a retomar essa luta”, expõe, referindo-se à defesa de diretos.

Eugenia é a primeira mulher a ocupar a Presidência do Senge-PA, entidade filiada à federação que tem em torno de 2 mil associados e signatária do movimento “Engenharia Unida”. Em seu terceiro mandato, ela destaca: a mulher tem conquistado cada vez mais seu espaço, tanto na engenharia como no sindicalismo. “Estamos ainda mais presentes, cada vez mais se dedicando à vida profissional e política”, afirma.

Há quanto tempo você atua na engenharia?

Estou há 40 anos na profissão, graduada e pós-graduada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e há 28 anos atuo no Sindicato dos Engenheiros. No dia a dia, respiro política sindical: datas-bases, elaboração de pautas de reivindicações, negociações, elaboração de ações trabalhistas e audiências, panfletos e jornais etc.. Principalmente agora nesta situação crítica em que se encontra nosso País.

Na sua visão, apesar de considerada ainda uma área majoritariamente masculina, a mulher vem conquistando seu espaço na engenharia? E no sindicalismo? 

Sim, estamos conquistando espaço não só na engenharia e no sindicalismo, mas em todas as áreas, ocupando nosso lugar. Estamos acelerando esse processo, estamos ainda mais presentes, cada vez mais nos dedicando à vida profissional e política.

Como você vê o Dia Internacional da Mulher, que nasceu de importantes lutas de trabalhadoras por melhores condições, redução de jornadas, entre outras pautas sindicais, no Brasil pós-reforma trabalhista?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sancionada em maio de 1943, então o que estamos vivendo agora são 75 anos de retrocesso, e isso atinge mais fortemente a mulher, que já é sacrificada com jornadas múltiplas. Acredito que seremos nós mulheres, de novo, a retomar essa luta (em defesa dos direitos). Acho que a falta de escolaridade e, em consequência, a falta de consciência política são um entrave (para a luta). Mas a indignação está chegando ao povo. Não me vejo diferente de qualquer trabalhador por ser mulher ou engenheira. Se quisermos manter direitos e conquistas e minimizar o desastre causado pela reforma trabalhista, temos que lutar, e será uma luta árdua.

Quais os desafios que mulheres e homens engenheiros têm pela frente no Brasil?

Nossa categoria é uma das mais afetadas pela crise política, moral, institucional, financeira que assola o País. E assim temos, mais do que todas as outras categorias, que estar à frente. O movimento “Engenharia Unida” é coeso e pode realmente alavancar resultados que eu acredito ser a oportunidade de sairmos da crise, de sairmos do buraco em que nossos homens públicos nos meteram. Precisamos de mais coragem para a luta de conscientização política e de valorização da força de trabalho. Temos que ir para a rua!

Jéssica Silva
Comunicação FNE

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