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Em seu segundo mandato à frente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Acre (Crea-AC), a rio-branquense Carminda Luzia Silva Pinheiro já tem uma boa caminhada em entidades representativas da categoria. Para a gestão 2018-2020 do conselho, ela conquistou quase 55% dos votos válidos. Ela destaca que atua no Sistema Confea-Creas e Mútua há 14 anos. Antes de se formar engenheira agrônoma pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Pinheiro graduou-se, como tecnóloga, em heveicultura - cultura da seringueira para a produção de borracha. Como profissional, ela está há 25 anos na administração pública local, mais precisamente na Secretaria de Estado de Agropecuária.

Nesta entrevista ao portal da FNE, a liderança acriana mostra que a agronomia está em sua vida desde pequena, ainda quando acompanhava seus pais no trabalho do campo. Apesar de mais de duas décadas de ações em defesa da categoria, Pinheiro observa que a mulher enfrenta ainda muitos desafios não apenas na atuação profissional, mas em todos os campos sociais. Por isso, para ela, está na ordem do dia a luta por direitos iguais na profissão e contra a violência, principalmente.

De forma geral, ela percebe que os profissionais da área ainda precisam ser mais valorizados pela sociedade brasileira. Para tanto, a presidente do Crea-AC aposta no movimento Engenharia Unida, lançado pela FNE em 2016, como um aglutinador de forças para esse reconhecimento.

Como a engenharia entrou em sua vida?

Como filha de produtores rurais sempre acompanhei meus pais na lida do campo. Percebia as dúvidas na hora do plantio e de desenvolver novas tecnologias para melhorar o cultivo. Aliado a isso sempre fui muito curiosa, por isso fui buscar uma área ligada à agronomia com objetivo de ajudar minha família no campo, dando orientação técnica adequada.

E a partir disso como foi sua experiência num curso majoritariamente masculino e, depois, no mercado de trabalho?

Bem, agronomia à época era uma área dominada pelos homens, mas aos poucos conseguimos espaço no meio para mostrar que a mulher tem capacidade intelectual e física para o desempenho de qualquer função dentro da engenharia. Basta apenas a vontade e a seriedade para fazer o melhor e com dedicação.

Em 2018, o que a engenheira enfrenta para se estabelecer na vida profissional?

Muitas conquistas foram alcançadas. A mulher passou a ser vista como cidadã participante do crescimento econômico do País. Conquistamos o direito de votar, ser votada e a exercer funções antes só ocupadas por homens. As mulheres, cada vez mais, escolhem a engenharia como profissão e conquistam aos poucos seu espaço, trabalhando em parceria com os profissionais do sexo masculino. Mas essas conquistas ainda vêm acompanhadas de muitos desafios, como a dupla ou tripla jornada de trabalho, já que muitas dessas profissionais são esposas e mães, além de atuarem em cargos de liderança.

O reconhecimento na engenharia ocorre ainda com poucas mulheres. Elas competem dia a dia em igualdade de atribuições, formadoras de opinião, éticas e influenciadoras, mas nem sempre reconhecidas por suas contribuições à engenharia. Digo ainda que há uma longa jornada pela frente; mas “miopia corporativa” não as torna cidadãs de segunda categoria.

A senhora acaba de ser reeleita presidente do Crea-AC. Como foi esse caminho? Quais as suas propostas à frente do Conselho?

Em nossa primeira gestão (2015-2017), estruturamos o Crea na área tecnológica e no corpo funcional. Agora, com mais experiência, trabalho e união, vamos avançar nas discussões sobre a valorização profissional.

Um dos nossos principais objetivos é avançar na fiscalização do exercício profissional de forma a garantir campo de trabalho para a nossa categoria e segurança para a sociedade. Além disso, vamos continuar a ação de fortalecimento e crescimento do Crea-AC, melhorando a infraestrutura e modernizando o sistema para atender satisfatoriamente as demandas dos profissionais, empresas e da própria sociedade.

E os desafios de mulheres e homens da engenharia e como o movimento Engenharia Unida pode ajudar nessa tarefa?

Hoje estamos na busca de um reconhecimento da nossa categoria profissional pela sociedade brasileira. E somente com a união de todos poderemos alcançar esse objetivo. Por isso, acredito que o Engenharia Unida pode ser o caminho para esse reconhecimento.

O Dia Internacional da Mulher nasceu de importantes lutas de trabalhadoras pela redução da jornada e igualdade de direitos. Essa luta continua atual?

A luta feminina ainda está longe do seu final. Diversos fatores corroboram o meu ponto de vista. A mulher assume múltiplos papéis, suporta uma sobrecarga e cobranças sociais e familiares o tempo todo. Enfrenta, por isso, conflitos envolvendo até a educação dos filhos ao mesmo tempo em que tem atuação ativa como profissional. O nosso trabalho ainda é desqualificado, apesar das evoluções recentes, pois ganhamos 70% do salário dos homens. A luta para mudar essa realidade, em pleno século XXI, é feita diariamente por mulheres que se posicionam e movem legiões para mudar essa realidade. Temos, sim, muitas lutas no nosso cotidiano: pelos direitos iguais, contra a violência, pela liberdade de expressão e por sermos mulheres.

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação FNE

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