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A engenheira Ana Adalgisa Dias Paulino, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), abre a série de entrevistas com lideranças femininas ligadas ao movimento “Engenharia Unida”, liderado pela FNE. A iniciativa homenageia o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A data, reconhecida oficialmente desde 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), é um marco histórico que tem origem baseada em três grandes fatos: na luta da alemã Clara Zetkin pela criação do dia da operária, em 1907; o trágico incêndio na fábrica americana Triangle Shirtwaist, em 1911, que matou muitas jovens costureiras; e a revolução russa, iniciada por mulheres, em 1917, que acabou por derrubar o regime imperial czarista.

Para Adalgisa, todo dia é dia de recordar as lutas das mulheres: “Todos os dias nós temos que ‘matar um leão’ para abrir nosso caminho, mostrar quem somos e sermos cada vez mais respeitadas. Porque se tivéssemos o respeito merecido, não sofreríamos com diferenças salariais, assédio ou violência.”

Formada em Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Adalgisa está há 25 anos na engenharia. Cursou mestrado em Engenharia de Produção, na Universidade Federal de Santa Catarina e, retornando à região Nordeste, tornou-se diretora executiva do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN). Foi professora na UFRN e na Universidade de Potiguar e é doutora em Ciência e Engenharia de Petróleo. Ocupou ainda o cargo de vice-presidente do Clube de Engenharia (RN). Eleita em 2017 com quase 54% dos votos dos profissionais do Estado, é a terceira mulher a presidir o Crea-RN.


Para a senhora, como é ser mulher e engenheira?

Eu particularmente nunca sofri nenhum preconceito, mesmo trabalhando em obras e nas entidades em que atuei, e acredito que a mulher tem conquistado espaço em várias outras profissões assim como na engenharia. Agora temos que ampliar a representatividade nas lideranças para que ainda mais mulheres se sintam bem-vindas na área. Elas precisam ocupar cargos de representatividade, isso incentiva e faz com que a participação feminina cresça. Que mais mulheres procurem entrar no Crea, procurem entrar na política, procurem entrar em outras áreas que ela já atua, mas em que falte representatividade.

Como a senhora vê a comemoração do Dia Internacional da Mulher, que nasceu de lutas históricas, na atual conjuntura?

A gente tem que ter todos os dias um dia internacional da mulher, porque, infelizmente, todo dia a gente tem que mostrar nossa capacidade por vivermos ainda num mundo muito machista. Em pleno século XXI, nós mulheres ainda ganhamos menores salários que os homens trabalhando da mesma forma,ainda sofremos violência doméstica, assédio. Isso porque já tivemos mulher na presidência da República, nos governos dos estados, em cargos altos. Então, cada vez mais nós temos que demarcar nosso território e mostrar a nossa importância, lutar cada dia mais pelos nossos direitos. Todos os dias nós temos que ‘matar um leão’ para abrir nosso caminho, mostrar quem somos e sermos cada vez mais respeitadas. Porque se tivéssemos o respeito merecido, não sofreríamos com diferenças salariais, assédio ou violência.

Qual é a importância de uma mulher presidir o Crea e participar de um movimento como o Engenharia Unida, da FNE?

Para mim é uma honra presidir o meu conselho e um orgulho participar de um projeto em que acredito. A engenharia só vai retomar o seu papel de destaque na sociedade como protagonista de desenvolvimento econômico, geradora de emprego e de tecnologia se for unida. Temos que nos unir em prol da própria engenharia, em prol do nosso protagonismo, em prol do desenvolvimento, dos profissionais e do Brasil. Acredito que o caminho da retomada do desenvolvimento econômico passa pela engenharia. Por isso, temos que estar unidos.

Quais os desafios que mulheres e homens engenheiros têm pela frente, no Brasil?

Temos que estar atentos à defesa da nossa profissão. A valorização profissional tem que ser uma bandeira do dia a dia. Não podemos deixar que, por exemplo, prefeituras do interior do Brasil, como é o caso do meu estado, paguem salários inferiores a engenheiros, dando poucas condições de trabalho. Temos que mostrar cada vez mais nossa competência, a nossa importância. Precisamos nos valorizar e cobrar a nossa valorização, em defesa do pagamento do piso salarial e em defesa da engenharia.     

Jéssica Silva
Comunicação FNE    

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