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Enfrentar os desafios e superá-los com determinação e unidade. Essa foi a tônica da abertura do X Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse). Realizado em 13 e 14 de setembro pela FNE, na sede do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), o evento contou com a presença de representantes dos 18 sindicatos filiados à federação. Nas falas de lideranças e autoridades, o mote da atividade: “retomar o desenvolvimento e defender os engenheiros”.

Em sua saudação inicial, Murilo Pinheiro, presidente da federação, lembrou o momento atual pelo qual o Brasil passa “extremamente complicado” e pediu calma, força e coesão. “Nós entendemos perfeitamente que somente com a engenharia unida vamos conseguir um Brasil mais forte.” Destacando o crescimento dos sindicatos devido a anos de trabalho e dedicação, o dirigente encorajou os presentes a buscarem saídas para a crise, citando o esforço iniciado em 2006, com a construção das propostas do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que neste ano teve mais uma edição com novas ideias aos futuros governantes.
Ana Adalgisa Dias Paulino, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), lembrou da importância de haver mais mulheres na profissão e na política. Dirigindo-se ao presidente da FNE, destacou: “Algo que aprendi com você, temos que nos unir ainda mais, porque a engenharia unida é muito mais forte. Pelo desenvolvimento do Brasil e para proteger a nossa inteligência.” Na mesma linha, o vice-presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Ubiratan Félix Pereira da Silva, falou do papel importante da FNE, “uma vez que é a maior entidade nacional da categoria”.

O deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL), integrante da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, enfatizou a importância de não só fazer obras, mas decidir quais devem ser feitas. “O que precisamos é da valorização e do reconhecimento da engenharia, mas isso não vai acontecer se ficarmos alheios aos processos”, alertou Lessa.

Para Joel Krüger, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o tema do X Conse foi oportuno: “Se queremos efetivamente recuperar o Brasil, precisamos que a engenharia esteja à frente das principais ações. Sabemos planejar, executar, e temos que também estar no comando.”
Paulo Guimarães, presidente da Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais dos Creas, arrematou: “Na defesa da engenharia, da soberania nacional, vamos seguir juntos para que a engenharia passe de novo a ser liderança nas tomadas de decisões do nosso país.”

Brasil em debate

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou a necessidade de fortalecer as entidades sindicais para atuarem em defesa do trabalhadores. “Estamos com 14 milhões de desempregados. E certamente um congresso com essa dimensão e qualidade sinaliza caminhos, constrói pontes e possibilidades”, disse.
Harki Tanaka, diretor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC (UFABC), reforçou a preocupação com as oportunidades no mercado, inclusive para a categoria. “A grande incerteza é como responder a pergunta dos alunos: ‘Vou ter emprego, vou ter bom salário?’ Essa é uma angústia que estamos vivendo em sala de aula”, relatou.

“Vivemos um momento eleitoral crucial. É gravíssima a situação. Ando pela cidade e vejo que áreas importantes estão sendo tomadas pelo crime organizado por conta da fragilidade do poder público. Muitos defendem Estado mínimo, mas não se dão conta que não é isso que precisamos. Precisamos de Estado eficiente”, alertou o vereador na cidade de São Paulo Eliseu Gabriel (PSB).

Também representante da câmara paulistana, Police Neto (PSD) lembrou que viver em cidade grande é algo relativamente recente, já que até os anos 1950 a maioria da população ainda morava no campo. Assim, argumenta ele, é preciso que haja conhecimento e políticas públicas responsáveis para garantir bem-estar aos cidadãos. “Portanto, temos que ter espírito público e engenharia”, resumiu.

Gilberto Natalini (PV), mais um vereador da capital paulista presente, fez questão de destacar a importância do local escolhido para receber o evento e debater os rumos do País. “Esta casa e este auditório têm tudo a ver com a vida dos engenheiros de São Paulo e do Brasil, mas também tem tudo a ver com a vida da sociedade. Aqui fizemos dezenas e até centenas de reuniões para discutir, organizar, planejar e praticar a busca da democracia.”

Também compuseram a mesa o secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni; João Carlos Meireles, secretário licenciado de Energia e Mineração do Estado de São Paulo; presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva, Regional São Paulo (Sinaenco-SP), Fernando Jardim Mentone; Ariovaldo Tedeschi, representante do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP); e o presidente da Companhia Energética de São Paulo, Almir Martins. Prestigiaram ainda a sessão de abertura os presidentes dos Creas de Alagoas, Fernando Dacal, do Distrito Federal, Fátima Ribeiro Có, da Bahia, Luís Edmundo Prado de Campos, do Amapá, Edson Kuwahara, e do Maranhão, Berilo Macedo.