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Cresce Brasil

Com o objetivo de sedimentar o caminho do diálogo entre capital e trabalho, o Seesp realizou em 27 de abril último, em sua sede, na cidade de São Paulo, o XVI Seminário de Abertura das Campanhas Salariais. Para Tadeu Ubirajara Moreira Rodriguez, diretor de Negociações Coletivas Nacionais da FNE, que participou da atividade pela primeira vez, a iniciativa já tradicional no sindicato paulista é um modelo a ser seguido em todo o País. Significa, na sua ótica, caminhar com o propósito de garantir a saúde da empresa e o atendimento às reivindicações dos engenheiros. “Pode ser adotado como instrumento pelos Senges e pela FNE.”

Em meio à crise política e econômica no País, a atividade apontou as perspectivas na interlocução com as empresas. A principal é a preservação de empregos e direitos aos engenheiros – o que deve ser comum em todo o Brasil. Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do sindicato e da FNE, deu o tom: “Com otimismo, vamos buscar uma saída sempre. Temos que acreditar, lutar, ser protagonistas na busca pela retomada do crescimento e desenvolvimento. Precisamos discutir a Engenharia Unida para apresentar propostas factíveis nesse sentido. Somente juntos conseguiremos chegar lá.” Lançado pela federação em 28 de março último, durante a posse de sua nova diretoria, em São Paulo, o movimento Engenharia Unida visa apresentar uma agenda positiva ao País. Reúne diversas entidades e organizações da área, além de instituições de ensino e representantes do setor produtivo empresarial (saiba mais no link http://goo.gl/xiH5po).

O consultor sindical do Seesp e da FNE, João Guilherme Vargas Netto, apresentou a conexão entre o seminário e a Engenharia Unida: “Provavelmente, depois de anos em que vinha crescendo bem, este adolescente de 16 anos que é nosso seminário terá que enfrentar uma situação de dificuldades. Quando houve problemas em 2008-2009, saímos com o projeto ‘Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento’ (lançado pela FNE em 2006) com a proposta de superá-los. Hoje, a economia está travada e como elemento negativo da compreensão da realidade, temos a divisão do movimento sindical. A boa notícia é que as necessidades do ‘Cresce Brasil’ se somaram a outro projeto: a Engenharia Unida. O mundo das empresas precisa se sensibilizar a esse movimento e compreender o alcance de sua estratégia, unindo interesses na perspectiva de retomada do crescimento para iluminar as negociações”.

Quadro atual

O cenário em que se dão as campanhas salariais 2016 foi apresentado por Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e por Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Este último destacou: “Todos acompanhamos o momento presente, de grave crise econômica e política com desdobramentos institucionais severos. No ano passado, tivemos uma queda de quase 4% na taxa de crescimento, e a expectativa é que em 2016 a queda seja superior a 3%. O último tombo tão grande se deu na década de 1930. Parte do problema é o travamento estrutural da economia capitalista no mundo. A crise internacional de 2008 não foi resolvida nos países centrais e está longe de ser. Outra parte do problema é associada a dificuldades internas.” Para ele, resulta da política econômica adotada, agravada pelas consequências da Operação Lava Jato, que “atinge o cerne da estratégia de investimentos em infraestrutura no Brasil. Da queda de 3% do PIB, 2% são decorrentes diretos da Lava Jato, com o travamento da Petrobras e da construção civil”. Não bastasse esse quadro, Ganz Lúcio apontou eventos naturais, como excesso ou falta de chuvas, e os processos eleitorais.

A boa notícia para as negociações, indicou, é que a inflação deve cair. “Nosso grande desafio é destravar a economia. Nesse sentido, o movimento sindical apresentou o ‘Compromisso pelo Desenvolvimento’. Elemento central é a preservação de empregos e salários reais. É um valor que devemos ter para a saída da crise.” Em meio a tal conjuntura, Ganz Lúcio diz que o movimento sindical precisa ter como estratégia a resistência – e nas campanhas salariais, é necessário encontrar caminhos que permitam acordos nessa linha.

Toninho traçou um quadro a partir da admissibilidade pela Câmara dos Deputados do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em 17 de abril (cuja abertura do processo foi aprovada pelo Senado em 12 de maio), citando como objeto de preocupação a proposta denominada “Ponte para o futuro”. Apresentada pelo PMDB, partido do agora presidente interino Michel Temer, traz retrocessos. E ressaltou: “O desafio ao movimento sindical é muito grande. É necessário forte enfrentamento a essa proposta para que não tenha efeito devastador, com foco na retomada do crescimento, preservação de empregos e direitos.”

Representantes de dezenas de empresas que negociam com o Seesp estiveram presentes, além do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – Regional São Paulo (Sinaenco-SP). No geral, reiteraram a disposição para o diálogo e sinalizaram a necessidade de busca de alternativas para contemplar as demandas dos trabalhadores, como abono e parcelamentos de reajustes. O diretor de representação dos empregados da São Paulo Transporte (SPTrans), Paulo Feu de Brito, enfatizou: “Que a realidade não seja uma ferramenta à empresa se apresentar de modo recuado nas negociações. Que a crise não lhe sirva de muleta. Se houver condições, que haja aumento real e avanços no plano de saúde.”

O jornalista João Franzin, da Agência Sindical, concluiu: “A 16ª edição deste evento atesta a vitória do modelo desenvolvido pelo sindicato.” A iniciativa reuniu público de cerca de 200 pessoas, entre elas dirigentes de Senges de vários estados filiados à FNE, bem como representantes de centrais sindicais.

Soraya Misleh

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