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O que poderia ser um momento de aproximação dos profissionais com o órgão de regulação e fiscalização da profissão, mais uma vez, acontece com baixa participação e em meio a denúncias de irregularidades.

PalavraMurilo0610 quadradaPara quem acompanha os processos eleitorais do Sistema Confea/Crea e Mútua, já se tornaram comuns duas características nada animadoras: baixo comparecimento às urnas e diversas medidas judiciais pelos mais diversos motivos. No pleito realizado na semana passada, é triste constatar, não foi diferente.

Com a recusa do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em realizar a votação pela internet, criam-se diversos embaraços à participação dos profissionais. Neste ano, com agravante do risco de contaminação pelo novo coronavírus, conforme números parciais divulgados até o momento, registrou-se o patamar sofrível dos últimos pleitos, abaixo dos 6%. Notadamente no Estado de São Paulo, muito provavelmente contribuíram também para afastar os eleitores a insegurança e a desinformação em relação a quem realmente era candidato.

Na disputa para o Crea-SP, o maior Conselho Regional do País, o atual presidente, que já está em seu segundo mandato, sendo, portanto, proibido de mais uma vez disputar as eleições conforme decisão da Justiça em todas as instâncias, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), não foi excluído da votação. Por algum motivo, a Comissão Eleitoral Regional (CER) descumpriu a ordem judicial que recebeu e manteve o seu nome na cédula. Obviamente, os eventuais votos que tenha recebido são nulos, tornando o pleito ainda menos representativo e desrespeitando o profissional que, sem a informação necessária, pode ter escolhido um nome que não era válido.

Na sequência dessa situação vexatória, observou-se uma resistência inexplicável em permitir que a fiscalização da apuração fosse feita pelo candidato de oposição, que se notabilizou durante a campanha pelas críticas à atual gestão. Esse fato, que foi objeto de denúncias desde o fechamento das urnas na noite de 1º de outubro e gerou um protesto na manhã de ontem (5/10), em frente à sede do Crea, na Avenida Faria Lima, é mais uma sombra lançada sobre o processo eleitoral.

Para completar, o resultado divulgado pela CER, sem o detalhamento dos votantes nas 294 urnas, causou ainda maior espanto. Em segundo lugar, consta o candidato favorável à situação que não fez campanha eleitoral visível e sequer forneceu foto e currículo para a divulgação oficial no site do Crea-SP, em que os profissionais podiam verificar quem concorria. Provavelmente, essa será mais um fato a ser questionado na Justiça.

Está mais que na hora de o conselho que abrange os profissionais da área tecnológica, quadros altamente qualificados e essenciais ao desenvolvimento nacional, ter uma mudança de rumos. Para tanto, é fundamental que todos nós acompanhemos de perto sua gestão e decisões políticas. Não é possível que um órgão de tamanha importância e potencial se veja permanentemente envolto em denúncias e brigas policialescas, quando sua vocação é ajudar a construir o País.

O Sistema Confea/Crea existe para garantir o bom exercício profissional num setor que é crucial à sociedade. Cabe a nós, que mantemos essa estrutura, exigir que ela esteja à atura das suas responsabilidades.

Murilo Pinheiro
Presidente

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