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auxilio maisumOs números redondos são mais fáceis de memorizar e, às vezes, representam algo mais do que quantificam; são símbolos mágicos.

Este é o caso dos números 600 e 1000 na atual conjuntura brasileira.

600 reais é o que as centrais sindicais lutam para garantir como auxílio emergencial até dezembro.

1000 é o número da medida provisória do governo que corta pela metade o auxílio e elimina milhões de possíveis beneficiários.

A campanha das centrais sindicais – baseada em um abaixo assinado virtual cujo apoio cresce a cada dia, mas ainda se revela insuficiente – visa mobilizar a base sindical, influenciar os partidos de oposição e todos os outros e comover a opinião pública, levando o presidente da Câmara dos Deputados a colocar em votação a MP 1000.

Sobre esta campanha, sobre a justeza e a necessidade da manutenção do auxílio e sobre a MP 1000 tem caído na mídia grande e nas redes sociais uma pesada cortina de silêncio.

Levando em conta a redondeza facilitadora dos dois números o interdito chega a ser patético.

Enquanto se discutem as possíveis variações de auxílios compensatórios para depois da pandemia não se fala sobre a manutenção dos 600 reais até dezembro. A MP 1000 jamais é mencionada; a única vez que vi impresso seu número nos jornalões foi em artigo da jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor.

Para se garantir a votação urgente da MP 1000 e manter os 600 reais, é preciso criar um clima de comoção nacional exigente que fure a bolha dos rentistas e fiscalistas, desperte os partidos para tal tarefa afastando-os do “quando pior, melhor”, convença os alienados e leve o Congresso Nacional a votar já.

A simplicidade dos dois números redondos pode ajudar nisto, desde que mencionados com a ênfase merecida.

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE.

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