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numeros coronaA doença Covid-19 é preocupante, assustadora? Claro que é. Mas é sempre necessário lembrar que se trata de mais uma dentre tantas outras graves doenças que a humanidade já enfrentou ou ainda enfrentará.

Veja-se, por exemplo, a gravidade da pneumonia infantil que, segundo a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) é uma “epidemia esquecida”, mas que mata uma criança com menos de cinco anos de idade no mundo a cada 20 segundos.

A pneumonia é uma doença pneumocócica que provoca inflamação nos pulmões e pode ser causada por vários micro-organismos tais como vírus e bactérias.

Bactérias, vírus e fungos são terríveis. São inimigos que desde sempre ceifam bilhões a vida dos seres humanos por meio das graves doenças que causam. Exemplos não faltam. Mas a humanidade parece desejar esquecer os estragos que estes inimigos implacáveis já fizeram.

Há mais de cem anos, recorde-se, o mundo enfrentava a terrível pandemia provocada pelo vírus influenza que gerou a conhecida “gripe espanhola”, gripe pneumônica, que matou cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. A pandemia permaneceu entre os anos de 1918 e 1919.

Para se ter uma ideia comparativa sobre a letalidade do vírus influenza registre-se que, durante a Primeira Guerra Mundial, um dos conflitos mais mortais já ocorridos, que terminou em 11 de novembro de 1918, morreram, entre civis e militares, algo em torno de apenas 20 milhões de pessoas.

Imagine, por outro lado, o desespero, a loucura, que teria sido naquela época ter acabado de sair da Primeira Guerra Mundial, com o mundo devastado, não ter os aparatos tecnológicos e o desenvolvimento que hoje a humanidade desfruta e passar por aquela pandemia mortífera.

Nos hospitais faltava de tudo literalmente. O abastecimento era precário em todos os sentidos. Nas casas não existia Celular, Internet, Facebook, Instagram, WhatsApp, pouquíssimas casas tinham TV ou telefone; enfim, entretenimento e comunicação eram mínimos e nem todos tinham o privilégio de possuí-los. Não se tinha meios eficientes para suavizar o tédio, amenizar o medo, diminuir o desespero de ficar confinado em casa com mínimas condições. A permanência em isolamento era, também, mortífera. Em muitas das vezes, com pouca comida, sem água, sem remédios, as pessoas entravam em óbito não somente por causa da doença.

Parece até absurdo, mas o fim do primeiro isolamento teria sido festejado euforicamente mais que o próprio fim da Primeira Guerra Mundial (contam os mais idosos) que por si só já teria sido terrível.

Depois do primeiro cancelamento do isolamento, quando se supunha teria acabado a pandemia, veio uma segunda onda ainda mais intensa e os números de contaminados e mortos dispararam.

Embora as autoridades tentassem reativar as medidas de prevenção explicando sobre a nova onda que havia chegado, sobre o novo surto mortífero que estava em andamento, o povo se insurgia se negando a regressar ao confinamento. O caos, então, se instalou. A segunda onda foi muito mais devastadora que a primeira. Aquela pandemia de 1918 teria ainda uma terceira onda.

As evidências dão conta que uma situação em algo semelhante está prestes a acontecer novamente com a pandemia de Covid-19. O ser humano, entretanto, infelizmente, parece só acreditar nos malefícios de uma grave pandemia somente depois que é afetado diretamente por ela.

Também, quando se fala em Gripe Espanhola, parece mais história do passado já esquecida. Algo muito distante do tempo presente e que ocorreu em um mundo com rudimentares ferramentas tecnológicas e com uma medicina muito inferior à atual. Outros até dizem, ou acreditam, ser apenas uma história aumentada.

Então, lembre-se de algo bem mais próximo do presente e que aconteceu em nosso próprio país. Recorde-se dos surtos de meningite ocorridos em 1923, 1945 e, aquele mais grave, que aconteceu no período de 1971 a 1974 no Brasil.

Para se ter uma ideia, até mesmo os Jogos Pan-Americanos de 1975, marcados para acontecer em São Paulo, foram obrigados a serem transferidos para a Cidade do México.

As pessoas infectadas começavam a se queixar dos sintomas como dor de cabeça, febre alta e rigidez na nuca. Muitos dos infectados morreram sem sequer terem um diagnóstico ou tratamento tal foi a intensidade e rapidez de expansão da doença.

No ápice da epidemia, chegou-se à proporção de 200 casos por 100 mil habitantes. Entretanto, diferentemente do que acontece com a pandemia de Covid-19, a maioria da população não sabia da existência e da gravidade da doença e, ao saber, entrou, naturalmente, em pânico.

Como em qualquer episódio traumático e de proporções gigantescas as informações divulgadas eram sempre contraditórias e revelavam situações que, em muitas das vezes, não traduziam a real situação que, todavia, era muito ruim.

A epidemia de meningite que eclodiu em 1971 atingiu seu ápice em 1974. Aulas foram suspensas, comércio foi fechado, eventos esportivos e culturais cancelados ou transferidos, empresas quebraram, aumentou o desemprego, aumentou a pobreza, o estado interveio na economia, os boatos só faziam aumentar, mortes e mais mortes, insegurança, pânico, tudo muito semelhantemente ao que se está vivendo na atualidade.

Tempos difíceis e sombrios. O medo tomava conta. Na falta de remédios ou vacinas, a população recorriam a panaceias milagrosas de todo tipo. Os rumores com falsas expectativas se espalhavam. Formol era utilizado para limpar pertences e móveis.

Escolas públicas foram transformadas em hospitais de campanha para atender os doentes. Hospitais ficaram sobrecarregados. O sistema médico-hospitalar colapsou. Para evitar a contaminação, os médicos usavam capacetes, óculos e botas.

Na esperança de deter o avanço da epidemia, os cidadãos começaram a tomar antibióticos por conta própria, que acabaram rapidamente fazendo com que a bactéria ficasse cada vez mais resistente. Os números dos infectados e mortos eram atualizados diariamente pelos órgãos de Saúde em sessões periódicas. Milhares de óbitos a cada boletim.

Mas, em 1975, uma vacina foi criada e a vida seguiu seu curso até encontrar muitas outras doenças que continuaram a dizimar parte da sociedade porque, de forma incompreensível, em grande parte, as pessoas não se permitem aprender as lições da História.

É importante lembrar que a vacinação em 1975 não foi realizada com seringa e agulha, mas com pistola injetora permitindo uma cobertura de cerca de 90% da população. Um feito notável para a época, acrescente-se.

Diversas epidemias já mataram muito mais que em todas as guerras travadas na humanidade. Bilhões morreram e ainda morrerão de Tuberculose, Raiva, Dengue, Coqueluche, Difteria, Tétano, Sarampo, Meningite, Hepatite, Malária, Febre Amarela. A cada ano cerca de 11 milhões de pessoas morrem somente em decorrência da Sepse (infecção generalizada do sangue causada principalmente por bactérias).

Mas se são tantas as mortes de pessoas todos os anos somente por bactérias e vírus, como ainda a humanidade não acabou? Por que diante de tantas possibilidades reais de extinção, sem contar outras causas além das pandemias, a vida humana na Terra ainda não foi extinta definitivamente?

Simples é a resposta: são as Ciências que estão salvando a humanidade. Em particular, na verdade, são as Engenharias que têm possibilitado gerar os produtos ou equipamentos que permitem às Ciências gerar os conhecimentos que determinam as incríveis soluções que perpetuam a vida neste planeta difícil e complexo.

Pense, por exemplo, apenas para pontuar uma possibilidade, em um dos laboratórios onde os pesquisadores estejam trabalhando para descobrir a vacina contra o coronavírus gerador da Covid-19.

Pois bem. Tudo que lá está foi efetivamente engendrado a partir da Engenharia desde o prédio onde está inserido o laboratório até os simples blocos de notas onde são feitas anotações. Tudo: armários, lâmpadas, tubos de ensaio, vidraria em geral, computadores, telescópios, mesas, cadeiras, capelas de exaustão de gases, centrífugas, destiladores, buretas digitais, paquímetros, réguas, lápis, canetas, autoclaves, balanças, luvas e máscaras; jalecos, óculos de proteção, bombas de vácuo, densímetros; dentre outros tantos produtos ou equipamentos, tudo, sem exceção, foi consequência de alguma Engenharia.

É meio lugar comum dizer que a Engenharia é o motor essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade contemporânea e que o Engenheiro é um multiplicador de resultados para o bem desta mesma sociedade. Em termos gerais, a Engenharia, que engendra soluções para a melhoria da vida das pessoas a partir do conhecimento agregado pela humanidade, é fundamental nos trabalhos que levaram à descoberta das diversas vacinas já criadas e é imprescindível para a determinação da vacina contra a Covid-19; mas, é claro, por si só a Engenharia não será capaz de acabar com o coronavírus causador da doença Covid-19.

Mas a Engenharia gera, em específico, os inúmeros dispositivos, produtos, equipamentos, cada vez mais eficientes e sofisticados para otimizar os serviços prestados à sociedade na ajuda para vencer os desafios em diversos setores; não sendo diferente em relação ao combate à Convid-19 tendo em vista as distintas frentes nas quais hoje a Engenharia atua.

Independentemente do setor de atuação da Engenharia, o atual mundo que enfrenta os múltiplos dilemas causados pela Covid-19 chama, então, a expertise dos Engenheiros para engendrar soluções para atender as necessidades urgentes que se vão apresentando.

É sabido que nos casos graves de Covid-19 o sistema respiratório do paciente é o mais afetado e nas UTI a respiração destes pacientes é por demais forçada. Assim, os Respiradores Pulmonares são os equipamentos utilizados para suprir os correspondentes déficits respiratórios e havendo tais equipamentos se diminuem os riscos de morte daqueles pacientes; sem contar que amenizam, e muito, os sofrimentos decorrentes.

Entretanto, segundo divulgado, um Respirador Pulmonar (simples básico) antes da pandemia de Covid-19 custava em média R$ 3.000,00. No início da pandemia, passou a ser negociado por R$ 5,000,00. Chegou a custar R$ 10.000,000 e atualmente chega a ser vendido entre R$ 15.000,00 e R$ 20.000,00. Mas existem Ventiladores Pulmonares mais sofisticados cujo preço pode variar entre R$ 315.000,000 e R$ 350.000,00, dependendo da complexidade técnica ou tecnológica empregada e dos acessórios acoplados.

Todavia, o BRASIL, em suas Universidades ou nas Forças Armadas, conseguiu produzir um tipo Respirador Pulmonar Mecânica (dos mais simples, mas que atende às necessidades) com custos que variam entre R$ 400,00 a R$ 1.000,00 cada um e cujo tempo de construção pode variar de 2 a 5 horas no máximo. É Inovação na veia.

Entendendo que inovação é a ação ou o ato de inovar os Respiradores Pulmonares em referência são novidades e como tais não permanecem apenas no campo da invenção de novos produtos, serviços ou tecnologias, mas vão muito além para atingir interesse de mercado ou para se adequar rapidamente às mudanças necessárias que vão surgindo.

Há de se observar que vários destes produtos estão autorizados pelos criadores para produção por quaisquer empresas bastando, geralmente, apenas entrar em contato com as correspondentes Agências de Inovação e solicitar a necessária permissão para a produção.

Todavia, no Brasil os Ventiladores Pulmonares necessitam de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e certificação pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) segundo as normas para a produção de equipamentos médico-hospitalares. Então, surge o velho problema que sempre impede o país de ser inovador, pois além de serem caros tais registros os processos demoram muito tempo para serem concluídos. Outro problema associado é precificação final após se considerar a carga financeira que o modelo regulatório em vigência exige.

Como resultado das possíveis dificuldades burocráticas ou demora no registro e certificação destes inovadores Respiradores Pulmonares criados por pesquisadores brasileiros é que muitos pacientes graves poderão morrer antes que as autorizações sejam concedidas.

Observe que o exemplo dos Respiradores Pulmonares 15 ou 20 vezes mais baratos que nossa Engenharia consegue gerar é apenas uma de um conjunto enorme de outras soluções inovadoras geradas seja no Campos da Saúde ou em quaisquer outras áreas.

As Academias do Brasil possuem cursos e expertise profissional para desenvolver soluções inovadoras diversas para os problemas da Nação. O Brasil tem, por exemplo, campos de excelência em distintas áreas da Engenharia Biomédica ou da Engenharia de Tecnologia Assistiva que podem produzir resultados fantásticos para dar apoio aos hospitais, principalmente nas horas de necessidade agravada como é o caso da pandemia de Covid-19.

O Brasil pode inovar para gerar de forma rápida e eficiente equipamentos outros que permitem tanto auxiliar no combate à essa pandemia que se enfrenta no momento quanto para tratar de outras diferentes enfermidades que assolam o país. Contudo, não pode ter na legislação entreves burocráticos que impeçam a Engenharia de inovar para ajudar a salvar vidas.

Nos vários períodos de dificuldades gerados por epidemias ou pandemias, a Engenharia e a Inovação do Brasil geraram soluções caseiras diversas para amenizar as dificuldades e o sofrimento das pessoas infectadas. Todavia, o processo de autorização dos equipamentos médico-hospitalares continua gerando outras dificuldades a vencer para se produzir muito mais.

Órgãos como Anvisa e Inmetro, ou até mesmo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), necessitam ser mais ágeis no registro e na certificação dos correspondentes equipamentos ou na concessão de patentes e marcas, principalmente, em tempos que solicitam soluções emergenciais como é o caso das epidemias e pandemias.

De forma alguma, entretanto, devem ser flexibilizados os correspondentes protocolos de segurança ou qualidade nas correspondentes análises. O que se necessita é rever o tempo gasto nos correspondentes processos para promover celeridade na liberação de equipamentos médico-hospitalares quando a vida de pessoas está em jogo. É necessário, também, trabalho prévio para otimização das rotinas visando minimizar ao máximo eventuais aspectos burocráticos. A efetiva digitalização de processos se faz necessária e não há mais como postergar a utilização de CPS (Cyber-Physical System) para avaliação de entidades físicas por meio de elementos computacionais colaborativos. A Quarta Revolução Industrial já deveria estar acontecendo intensamente, também, em quaisquer dos órgãos de controle.

A despeito, entretanto, das várias dificuldades que se apresentam, continuar-se-á inovando na geração de dispositivos para minimizar o sofrimento daqueles que padecem devido às consequências das graves doenças como é o caso da Covid-19. A Covid-19 vai passar e o legado deixado pela Engenharia e Inovação do Brasil permitirá enfrentar outras crises semelhantes com mais e melhores equipamentos.

Carlos Magno Corrêa Dias é professor, conselheiro efetivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC), personalidade empreendedora do Estado do Paraná pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep). 

Foto: Pixabay

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