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De forma geral, skills significa habilidades ou capacidades. Entretanto, tal termo passou a ser utilizado, mais frequentemente, particularmente na Quarta Revolução Industrial, para designar a capacidade de concretização de forma rápida e eficiente de um determinado objetivo.

soft skillssoft skillsEntretanto, no ambiente profissional (tanto no chão de fábrica, quanto nos Recursos Humanos das empresas, por exemplo) ainda fala-se em soft skills e hard skills com conotações contrárias, utilizando as primeiras para fazer referência a algumas atitudes comportamentais inatas ou aperfeiçoadas por cada pessoa e tratando as últimas como aquelas competências técnicas ensinadas e adquiridas no Ensino Formal, principalmente na Universidade.

Não se deve perder de vista, porém, que as skills sempre foram e continuarão sendo as capacidades de um profissional de executar suas tarefas seja na modalidade soft ou hard, em especial no campo das Engenharias, senão em todos os campos do trabalho.

Todavia, é certo, também, que na atual realidade disruptiva e inovadora das empresas de sucesso não bastam mais que os profissionais possuam diplomas e os vários anos de experiência. Semelhantes requisitos não são mais exigências básicas para se conquistar um bom emprego ou para se manter no emprego já conquistado conforme mostram as evidências já há algum tempo.

O mundo 4.0 está a exigir que os profissionais demonstrem, também, que, além da diplomação e experiência técnica na área de atuação, possuam habilidades específicas outras que as empresas necessitam para se manter no mercado cada vez mais competitivo e que exigem de seus colaboradores posicionamentos inolvidáveis para que as mesmas empresas se desenvolvam constante e continuamente.

Então, aparentemente, existe um paradoxo, ou um conflito aparente, entre a formação dos profissionais gerados pelas Universidades e as exigências da parte do mercado uma vez que, em muitas das vezes, talvez por modismos ou estratégias não de todo compreendidos, ou mesmo aceitos, os empregadores passam a buscar profissionais mais com perfil das soft skills em detrimento daqueles que ainda são formados para o desenvolvimento, quase essencialmente, das hard skills.

Grosso modo, pode-se dizer que as soft skills remetem às habilidades socioemocionais enquanto que as hard skills fundamentam-se nas habilidades mais técnicas e mais mensuráveis. As primeiras são raramente consideradas nas Universidades enquanto que as segundas são maciçamente (ou quase exclusivamente) desenvolvidas nos meios de formação acadêmica profissional.

De forma mais particular as hard skills são consideradas como aquelas habilidades tradicionais que são “dimensíveis” de alguma forma ou aquelas que podem ser “ensináveis” ou aprendidas no Ensino Superior, ou no Ensino Profissionalizante Regular, ou em Cursos de Treinamento. As hard skills remetem às habilidades profissionais que são quantificáveis e facilmente reconhecíveis ou comprováveis por meio de certificados ou diplomas sendo, usualmente, aquelas habilidades discriminadas nos currículos que os profissionais encaminham para concorrer em processos seletivos desde sempre.

Já as soft skills não são facilmente mensuráveis uma vez que estão relacionadas com habilidades mais subjetivas ou interpessoais dos profissionais e estão vinculadas à personalidade, caráter, juízos de valor ou valores dos profissionais enquanto pessoas que interagem com outras pessoas.

Habilidades tais como facilidade em se relacionar bem com outras pessoas, resiliência, flexibilidade, paciência, fácil engajamento em novos grupos de trabalho, iniciativa, etiqueta, cordialidade, originalidade, pensamento crítico, capacidade de ouvir com atenção, espírito de equipe, dinamicidade, dentre outras, são esperadas daqueles que possuem as soft skills desenvolvidas; competências estas que, certamente, não são facilmente comprovadas na elaboração de um currículo de candidato a uma vaga de emprego.

As soft skills estão relacionadas com a inteligência emocional e com as habilidades mentais enquanto que as hard skills fazem referência às habilidades técnicas adquiridas mediante formação escolar ou técnica.

No mundo cyber-físico da Indústria 4.0 o desenvolvimento fez com que as soft skills passassem a ser cada vez mais exigidas dado que são precisamente tais habilidades que os robôs não podem automatizar ou similar. Assim sendo, é desejável que os atuais profissionais desenvolvam habilidades como criatividade, adaptabilidade, capacidade de persuasão, capacidade de administrar o tempo, colaboração eficiente, dentro outras. O melhoramento, ou antes, o incentivo, destas habilidades constituem requisitos cada vez mais desejáveis para os novos profissionais na Quarta Revolução Industrial.

Todavia, nunca deixará de ser essencial estudar, aprender e apreender conhecimentos especializados. Nunca deixará de ser importante (senão primordial) que um Engenheiro, por exemplo, saiba o que são e onde podem ser aplicados “senos e cossenos” para a resolução de problemas nos seus campos de utilização. A aquisição de conhecimento jamais será algo que poderá ser substituído plenamente sejam pelas soft skills ou por outras habilidades, embora estas últimas complementem de forma positiva a atuação dos profissionais, principalmente, no chão de fábrica das indústrias.

Atualmente as Organizações necessitam de Engenheiros que além de dominar o “saber fazer” nas suas áreas de especialidade devem saber manejar, por exemplo, dados na nuvem e devem ter a competência de tomar decisões rápidas baseadas nestes mesmos dados que se avolumam de forma exponencial. Mas, estes mesmos profissionais são exigidos, também, a liderar e treinar outros profissionais de forma a empoderá-los e não mais apenas controlá-los para bem executar suas tarefas. As soft skills são chamadas para acrescentar diferenciais aos profissionais que as máquinas não são capazes de adquirir para se desenvolver tal como são os casos da criatividade, empatia, confiança, pensamento crítico, solidariedade, dentre tantas outras habilidades próprias do homem que pensa e age conforme sua inteligência.

O conhecimento, porém, tornou-se uma necessidade cada vez mais ampliada na Indústria 4.0 e para o avanço das Tecnologias Disruptivas que dia após dia estão sendo criadas. Sem o conhecimento “pesado” desenvolvido pelas gerações anteriores em várias áreas do saber, principalmente nas Ciências Exatas, em particular nas Matemáticas e nas Engenharias, não há futuro desenvolvimento promissor a almejar no mundo da Inovação.

Na Quarta Revolução Industrial, no mundo das Tecnologias Disruptivas e Inovadoras em evolução continuada associada às tecnologias tais como Biotecnologia, Bitcoin, Blockchain, Impressão 3D, Internet das Coisas, Nanotecnologia, Realidade Aumentada, Robótica Avançada, Inteligência Artificial, dentre outras, por exemplo, no mundo onde máquinas inteligentes criam outras máquinas inteligentes, sem as hard skills não se atingirá o aprimoramento das soft skills, e, sem as soft skills não se evoluírão as hard skills.

Vê-se, pois, que seria um erro priorizar as soft skills  em detrimento das hard skills, e vice-versa. É necessário alertar que embora o perfil dos trabalhos esteja mudando violentamente e com velocidade espantosa não tendo lugar mais para os profissionais que habitavam exclusivamente os mundos das Revoluções Industriais anteriores, não é aceitável pensar em profissionais dotados exclusivamente das hard skills ou das soft skills. Existirão, em futuro breve, trabalhos que somente os homens poderão executar e trabalhos para ser desenvolvidos exclusivamente pelas máquinas.

É desejável, então, a integração cada vez maior destas duas habilidades na formação dos futuros profissionais e não, como se constata em algumas posições descontextualizadas, a imposição de uma em detrimento da outra.

Inegavelmente, as equipes de trabalho nas empresas de sucesso serão aquelas compostas por profissionais que se distinguirão por possuir características tanto das soft skills quanto das hard skills, principalmente quando a simbiose for tal que seja impossível a dissociação entre elas.

O futuro promissor sorri para o relacionamento forte e intrínseco entre as soft skills e as hard skills que gerará um mundo inolvidável que exigirá o melhor de cada uma das habilidades referenciadas.

Carlos Magno Corrêa Dias é conselheiro do Conselho das Mil Cabeças da CNTU , conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, Líder do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI) do CNPq,líder do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC) do CNPq, coordenador do Núcleo de Instituições de Ensino Superior do CPCE do Sistema Fiep, Personalidade Empreendedora do Estado do  Paraná.

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