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Ainda estamos no olho do furacão e é cedo para analisar com seriedade toda a situação. Até outubro e as eleições muita água vai rolar.
A própria mídia grande que se revelou desinteressada e desinformada quanto à gestação da crise (valorize-se a autocrítica da ombudsman da Folha) alardeia hoje um quadro de dificuldades e problemas a serem ainda resolvidos.
Mas, quaisquer que sejam a acuidade analítica e os desdobramentos da conjuntura, uma coisa é certa: o grande derrotado pela greve dos caminhoneiros foi o presidente Temer.
Ele cometeu 7 pecados capitais durante todo o processo, em sua motivação, em sua eclosão e em seus efeitos merecendo portanto o panelaço e o descrédito que lhe dedicam os brasileiros.
Estes 7 pecados capitais foram:
1- A política econômica executada pelo governo e, em particular, a aquiescência e a sustentação à política de preços da Petrobras – rentista, internacionalizada e antipopular;
2- a não previsão do alcance e magnitude da greve, o desprezo ao atendimento das reivindicações dos trabalhadores apresentadas ao longo do tempo ao governo e a leviandade com que foram tratadas as reclamações;
3- a negociação irresponsável e de má fé, o açodamento em sua condução e anúncio de resultados não confiáveis, bem como erro de negociar com quem não tinha o verdadeiro comando do movimento;
4- a tentativa de indispor-se com os empresários do transporte acusando-os (e ao movimento) de locaute para mascarar seus próprios erros e vacilações e levar a sociedade a indispor-se com os caminhoneiros (erro que se repete agora com as denúncias de “infiltração política”);
5- a acelerada deterioração de suas relações com o Congresso Nacional e os governadores, levando a Câmara e o Senado a revelarem sua perplexidade, desorientação e oportunismo;
6 - a sua comunicação desastrosa durante toda a crise e seu isolamento cada dia maior, seja quando recuava, seja quando ameaçava, desagradando a “gregos e baianos”;
7- a convocação arbitrária, intempestiva e aventureira das Forças Armadas cujos comandos, no fim das contas, recusaram cumprir o papel de capitães do mato.

Carlo Cipolla afirma em um ensaio impagável que uma das leis fundamentais da estupidez humana estabelece que uma pessoa é idiota se, com suas ações, prejudica os outros e a si próprio. O presidente Temer com seus sete pecados capitais enquadra-se à perfeição na tipologia do economista italiano.


João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE

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