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Essa greve não surge do nada, tem raízes fortes e profundas. Temos uma logística comprometida por desgovernos seguidos.

A história parece ter conspirado contra nossa logística. Seu princípio mais basilar, a intermodalidade, jamais foi praticado. Tivéssemos uma rede hidroviária (rios não nos faltam) e uma rede ferroviária minimamente compatível com a demanda, essa greve estaria limitada a um tipo de transporte.

Como tudo o que temos, é o transporte mais caro e mais poluente entre todos, o rodoviário. Nesse contexto, causa apreensão que essa greve seja usada para fins espúrios. O primeiro deles, que nos deixa bastante apreensivos, seria o governo querer agora, usando essa greve em seu favor, tocar concessões a toque de caixa, desrespeitando o interesse nacional e priorizando o de empresas interessadas que, no limite, poderiam inclusive estar agora apoiando a greve e o caos para esse fim.

O segundo é ainda mais alarmante. Lembremos um pouco da história recente. Nossa geração viveu isso, a geração mais nova estudou na escola: em 1973, o Chile vivia sob o governo eleito de Salvador Allende quando uma paralisação de caminhões culminou num dos golpes militares mais sangrentos da América Latina, empossando o general Pinochet, até então homem de confiança de Allende. Algumas décadas antes, uma paralisação em Berlim antecedeu e favoreceu a eleição que elevou Hitler à condição de chanceler (o equivalente a primeiro ministro de lá). Estejamos todos atentos, cidadãos, nada como o exemplo passado: quem desdenhou quis comprar e quem paralisou tomou o poder.

José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente) e coordenador do Engenheiros Pela Democracia (EPD)

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