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Ainda que a grande mídia não tenha registrado a jornada dos metalúrgicos (o que impõe esforço redobrado à comunicação sindical), o dia 14, de greves, concentrações e passeatas foi um sucesso.

O esquenta de resistência às deformas e de mobilização nas campanhas salariais em curso e projetadas para os próximos meses, teve três características fortes que atestam sua positividade.

Foi uma jornada metalúrgica de lutas em que a cúpula dirigente da categoria demonstrou à sua base sua vontade de resistir e de comandar. Levando-se em conta o histórico papel dos metalúrgicos na dinâmica da luta dos trabalhadores isto pesa e muito.

Em segundo lugar, a jornada foi nacional. Há registros e informações sobre greves relâmpagos e manifestações em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Em São Paulo, capital, houve um ato unitário no centro da cidade depois de 55 paralisações nas fábricas.

E, por último, mas não menos importante, foi uma jornada unitária em que todas as entidades sindicais metalúrgicas se mobilizaram com palavras de ordem comuns e uma estratégia orientada a reforçar, nas campanhas salariais, o peso das atuais convenções não se admitindo nenhum direito a menos e a prevalência da famigerada lei da deforma trabalhista.

No dia 14, a categoria inteira dos metalúrgicos se manifestou?

Ainda não, porque a categoria (como, em geral, todos os trabalhadores na indústria) encontra-se prisioneira de uma contradição que a paralisa. Metade do cérebro dos trabalhadores registra que situação vai piorar com a vigência da famigerada lei, mas a outra metade registra que, do ponto de vista econômico, a situação parou de piorar mesmo que o colchão social de proteção tenha se consumido.

Presa nessa contradição a base permanece ainda relativamente passiva, esperando apreensiva os fatos e a voz de comando dos dirigentes.

A grande virtude da jornada do dia 14 foi a de demonstrar o empenho de luta das direções sindicais metalúrgicas ajudando o movimento a preparar – no clima social de desordem e retrocesso, em uma conjuntura instável e com expectativas acalentadoras de ilusões – a grande plenária nacional do dia 29.

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consltor sindical da FNE

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