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É muito difícil, sem parecer petulante, explicar as dificuldades porque passa o movimento sindical para garantir o “nenhum direito a menos” dos trabalhadores e organizar fortes manifestações de resistência.

A primeira delas é o lastimável quadro social em que pelo menos um quarto de toda a população brasileira enfrenta uma das maiores privações, a do emprego e da remuneração correspondente.

Esta enorme desorganização na sociedade acarreta um sentimento difuso de derrota e de capitulação, uma das marcas da nova conjuntura (ofuscada momentaneamente pela euforia carnavalesca da classe média).

Como se não bastasse isso, a grave crise política decorrente do impedimento presidencial e da assunção de um novo governo confunde ainda mais as coisas, não deixando que se veja claramente todas as implicações e consequências de suas iniciativas cada vez mais a serviço dos rentistas vitoriosos e do exigente mercado (ambos sem votos), que estão se lixando para os moralismos que foram úteis na derrubada do governo anterior.

A conjuntura agravou-se sobremaneira e à derrota grave soma-se a desorientação, que não se corrige com o apelo à situação anterior convulsionada; o “fora Temer”, ao revisitar esta situação estridente, aliena hoje a sociedade dos verdadeiros problemas a serem enfrentados e é sensivelmente uma opção sectária.
A massa de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, bestializada pela situação, exige que as direções do movimento sindical apresentem a ela alternativas de resistência – unitárias, factíveis e producentes – capazes de, ao mesmo tempo, diminuir suas dificuldades atuais e reconstruir o movimento de recuperação das perdas e de avanço.

Tomemos o exemplo da pretendida reforma previdenciária.

O mercado e os rentistas a querem efetiva em sua versão mais privadamente interesseira e mais restritiva dos direitos dos trabalhadores e o governo propõe à sua base congressual (que é grande e tumultuada) uma reforma propagandeada como necessária e inevitável, ainda que suscetível de mudanças pontuais controladas.

As direções sindicais, mal acostumadas durante os anos de vacas gordas a obter resultados (com raras exceções) sem fortes mobilizações e a negociar estes sem a necessária demonstração de força, persistem neste procedimento como se para elas também, a conjuntura não tivesse mudado para pior e fosse possível negociar bem neste governo, neste Congresso e neste assunto previdenciário, sem prévia demonstração de força social.

Para serem ouvidas pelas massas – que estão apreensivas e atordoadas – as direções sindicais precisam mobilizá-las com um rotundo não à reforma e às suas piores consequências, antes de mais nada.

Qualquer outro encaminhamento que desconheça a conjuntura atual – seja pela “esquerda” com o sectarismo irrealista, seja pela “direita” com a negociação antecipada e apressada – será como carregar água em peneira.

JGVNJGVN

 

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE

 

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