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Não foi um rolezinho, nem um flash mob. O que aconteceu na Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 16, foi uma grave e preocupante agressão à democracia e à Constituição. Um grupo de agitadores fascistas (a mando de quem?) agrediu o Congresso e todos os brasileiros exigindo a volta da ditadura militar (que é repudiada pelas Forças Armadas) e, embora detidos e conduzidos para depoimento na PF, logo depois viu cair sobre eles e sobre seu crime um obsequioso silêncio.

Silêncio das autoridades, silêncio dos partidos políticos, silêncio dos intelectuais, confusão e silêncio da mídia.

Somente uma instituição brasileira manifestou fortemente seu repudio ao ato provocador. Refiro-me à incisiva nota oficial assinada pelos seis presidentes das centrais sindicais reconhecidas, emitida no dia 17, em que se afirma que “não é possível ser conivente com manifestações que visam solapar a democracia duramente conquistada”.

Me orgulho, portanto, pela rápida e precisa nota de repúdio do movimento sindical, unido e atento, reafirmando seu protagonismo democrático e cidadão.

No quadro da grave e persistente instabilidade política do país, o grupo agressor, manipulado sabe-se lá por quem, testou os limites da tolerância das forças democráticas. E estas, mais uma vez insisto, com exceção do nobre movimento sindical, assistiram àquilo “bestializadas”, expressão de Aristides Lobo sobre a República.

Os jornalões, por exemplo, apresentaram versões exíguas e opiniões bastante irresponsáveis. O Estadão, que exigiu em editorial apuração rigorosa não se preocupou em investigar ele próprio, como seria a responsabilidade de um órgão de informação e não produziu matéria jornalística. A Folha, em editorial, desqualificou a gravidade do delito e tentou fazer um amálgama entre esta manifestação e outras manifestações de resistência e luta. O Globo, nada fez de cobertura e investigação, encharcado e excitado pela crise fluminense. O Valor ainda tentou uma reportagem sobre o grupo e suas motivações, mas o fez de modo superficial e anedótico. Registre-se que nenhum deles sequer mencionou a nota das centrais sindicais (com exceção da versão digital do Estadão).

Neste episódio, orgulho-me da vigilância e presteza do movimento sindical e me preocupo pela irresponsável inconsciência das outras instituições e do mundo político-partidário democrático que não quis ver que jabuti não sobe sozinho em forquilha.

 

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE.

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