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FNE / Jornal / Edição 86 - Jul/09 / Senge e FNE realizam I EcoPiauí

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Senge e FNE realizam I EcoPiauí

Rita Casaro

Com o objetivo de subsidiar o poder pú­blico com sugestões voltadas ao desenvolvi­mento sustentável e a soluções dos proble­mas ambientais que hoje afligem a região, aconteceu o I EcoPiauí, nos dias 18 e 19 de junho, em Teresina. “Vamos sair daqui com propostas concretas para investimentos”, anunciava o presidente do Senge Piauí, Antonio Florentino de Souza Filho, na aber­tura do evento. Na oportunidade, o presi­dente da FNE, Murilo Celso de Cam­pos Pinheiro, ressaltou a importância do en­contro para a discussão de maneiras de se promover a melhoria da qualidade de vida da população. “Pretendemos estender esse debate a todo o Brasil”, afirmou.

Numa jornada de trabalho que reuniu cen­tenas de técnicos interessados no tema e inú­meros especialistas, o primeiro tema colo­cado em pauta foi energia renovável, abor­dado pelo coordenador técnico do pro­jeto “Cresce Brasil + Engenharia + De­senvolvi­mento”, Carlos Monte, e pelo vice-governa­-dor do Piauí, Wilson Martins. Ambos deram destaque à matriz brasileira, que já conta com 43,1% de fontes limpas, contra 8,3% no con­junto do planeta. Com grande tradi­ção na hidreletricidade, responsável por 13,2% do total, e na liderança da geração a partir da cana-de-açúcar, o País tem ainda que avançar no campo das energias eólica e solar. Con­side­radas mais dispendiosas, essas alternati­vas, ressaltou Monte, demandam pesquisa com vistas ao avanço tecnológico, buscando viabilizá-las financeiramente. Lembrando a posição van­tajosa na corrida para se emanci­par dos com­bustíveis fósseis no que diz res­peito a recursos naturais, o vice-governador do Estado tam­bém enfati­zou a necessidade de ampliar o conhecimen­to para a geração a partir do sol e dos ventos, que já conta com experiências no Estado, como os 62 sistemas fotovoltaicos instalados pela Chesf (Compa­nhia Hidro Elétrica do São Francisco) para atender pe­quenas co­munidades e o Parque Eólico da Pedra do Sal, de 18MW.

Apesar do seu inevitável impacto ambien­tal, tendo em vista a necessidade de alaga­mento, as hidrelétricas ainda são a prioridade no Piauí, afirmou Martins. Segundo ele, entre as obras fundamentais, estão as barragens de Castelo e Parnaíba, que juntas têm o potencial de 223MW. Tendo o objetivo também de regular as bacias hidrográficas, assegurou o governador, os projetos podem ajudar a con­trolar cheias como as do Rio Poty, que inun­daram Teresina com as chuvas de inverno.

Desmatamento

Questão que tem merecido destaque na agenda ambiental do Piauí, o avanço da deser­tificação foi abordado pelo secretário esta­dual de Meio Ambiente, Dalton Melo Ma­cambira. Ele apresentou as ações do Nupera­de (Núcleo de Pesquisas para Recuperação de Áreas Degradadas e Combate à Deserti­ficação), que abrange diversos municípios. Conforme Macambira, os experimentos feitos em Gilbués, que concentra uma área de 631km2 de solo degradado, considerada a maior do Nordeste do Brasil, já tiveram re­sultados positivos a partir do projeto piloto da microbacia do Riacho Sucuruiú, desenvol­vido em 16 hectares e 11 propriedades. Segundo ele, houve incremento da produção de milho de 700kg por hectare para 3.500kg a cada safra. Parte crucial do trabalho vi­sando a recuperação, lembrou, é o zonea­mento ecológico-econômico.

A erosão rural no Piauí foi o tema do engenheiro agrônomo Adeoda­to Ari Salviano. Ele apontou o problema de efeitos nefastos tanto na propriedade (per­das de sementes e fertilizantes e diminuição da produtividade do solo, por exemplo) quan­to fora dela (como poluição, desmoronamen­to em áreas urbanas e inundações).

Saneamento e regulação

Fundamental ao desenvolvimento e à saú­de pública, o saneamento ambiental no Piauí, também previsto no PAC (Programa de Ace­leração do Crescimento), foi aborda­do pelo secretário nacional de Saneamento Am­bien­tal, Leodegar Tiscoski. O presidente da Ages­pisa (Águas e Esgotos do Piauí S.A.), Mer­long Solano Nogueira, falou sobre a recupe­ração financeira da companhia, que em 2008 teve faturamento de R$ 191 milhões. O tema do secretário de Finanças de Tere­sina, Felipe Mendes, foi o projeto “Lagoas do Nor­te”. O trabalho inclui drenagem urbana, ade­quação do sistema viário, reforço e recupera­ção de diques, reforço da rede de abasteci­mento de água e implantação da rede de esgo­tos. Milcíades Gadelha, diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente, apresentou o plano estadual de recursos hídricos, cujos objetivos são, entre outros, realizar o balanço oferta e demanda e orientar os estudos de cobrança.

Encerrando o seminário, abordaram a ne­cessidade de regulação específica para o setor o secretário executivo da Abar (As­socia­ção Brasileira de Agências de Regula­ção), Mar­co Antônio Sperb Leite, o presi­dente da Agên­cia Municipal de Regulação de Teresina, Bal­tazar Melo Sobrinho, o de­putado estadual An­tônio Uchôa (PDT), au­tor da lei que cria a agência reguladora do Piauí, e José Luiz Lins, presi­dente da Arce (Agência Reguladora do Ceará).

Conjuntura na crise

Durante o I EcoPiauí aconteceu ainda o debate sobre a conjuntura nacional e a supe­ração da crise. Sobre o assunto falou o eco­nomista Luís Moura, supervisor técnico do Es­critório Regional do Dieese (Departa­mento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeco­nômicos) em Sergipe. Na sua opi­nião, o gran­de saldo da turbulência finan­ceira originada nos Estados Unidos, cujas consequências va­riam de acordo com o País, é a conclusão de que o modelo neoliberal de Estado mínimo está condenado. “Aqui não foi tsunami, nem marolinha e há gar­galos nos setores expor­tadores”, disse. Ele informou ainda que o impacto sobre o em­prego foi sentido forte­mente em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, com a elimina­ção de 756.694 postos. Passado o pior momento, já há recuperação e foram criadas 150.202 vagas entre feve­reiro e abril. No caso dos engenheiros, entre janeiro de 2008 e abril de 2009, o saldo foi positivo em 13.686.

Para o deputado federal Osmar de Almeida Junior (PCdoB/PI), o que se destaca na atual conjuntura é a ação do governo no sentido de investir para enfrentar as dificuldades. Ele exemplificou com os R$ 560 milhões previstos para estradas no Estado do Piauí.

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